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quinta-feira, 14 de maio de 2020

Alegria em forma de gente

Olha só quem tá ficando mais velho!
Em meio a essa pandemia acredito que muitas coisas, pessoas, gestos e relações tem sido repensadas.
Relembrando a época que te conheci, e tudo que aconteceu de lá para cá, eu fico feliz em ter você entre meu pequeno grupo de amigos (amigos mesmo, que conto para além de zueira).
Apesar de ter feito toda a graduação na mesma turma, só nos aproximamos no último ano. Você seria minha dupla em tudo e a gente mal se falava até então! Estávamos juntos na primeira aspiração em UTI, nos auxiliando, nas voltinhas de ambulância, nos perrengues com Fafá. Se não fosse você eu teria reprovado no estágio de uro, porque ali descobri que realmente não seria minha área de atuação. 
Depois a pós e os cursos em terapias integrativas, até para Recife nós fomos numa viagem super engraçada do começo ao fim, só para fazer um curso! 
Fico muito grata por acompanhar de perto seu crescimento e por termos crescido juntos em muitas coisas. Você se tornou uma referência para mim, não só como profissional mas principalmente como pessoa. O abraço fica para depois da quarentena, mas o carinho... esse ultrapassa as barreiras da distância, do vírus e tudo mais. Logo a gente toma umas cervejas para comemorar e relembra a viagem para Serrinha, nossas viagens com reiki, auriculo, aromaterapia, astrologia... 
Continue espalhando sua luz, sua alegria para todos que tenham a sorte de te conhecer. Aproveite (com responsabilidade) como puder esse dia. Sinta-se beijado, abraço, bajulado e lisonjeado. 
Amo você, meu amigo e dupla (em quase tudo) desde a faculdade!

sábado, 4 de abril de 2020

Carta à primeira Teresa


Alguém já disse que te ama hoje?

Vó!!! Como você está? 
Que saudade dos seus beijos estalados, do abraço apertado e claro, dessa frase que tanto amo dita por você e hoje tatuada em mim (no coração e nas minhas costas). Hoje é dia de completar mais um ciclo dessa sua jornada cheia de obstáculos e alegrias e eu sou grata a Deus por sua existência em minha vida desde sempre, me ensinando, amando, alimentando (saudade da sua comida). Vó, desde que sai de casa para estudar tenho a compreensão que precisamos aproveitar cada tempinho juntas, pois não sabemos quando pode ser repetir. No entanto, agora mais que nunca, entendo a importância disso. A importância de presença, do contato, do abraço. Quando tudo isso passar, vamos ficar abraçadinhas a tarde toda nessa sua cama que sempre cabe todos os filhos, netos e bisnetos. Desejo saúde, muitos anos de vida e alegrias. 
Te amo muito, minha veinha.

Carta as arianas Alice e Luísa


04.04.2020

Queridas arianinhas, sei que a leitura das palavras ainda não faz parte da vida de vocês. O momento pede explorar outros campos, afinal, o mundo é tão vasto e ainda tão novo para as duas, mas queria deixar aqui algumas palavras que um dia talvez sejam lidas pelas senhoritas.
Quando conheci a mamãe e o papai, vocês ainda eram um sonho, sempre falado com um brilho nos olhos. Já eram amadas antes mesmo de estarem no ventre da mamãe. No primeiro ano perto da mãe de vocês eu a vi enfrentar uma série de dificuldades que abalam qualquer pessoa e deixaria sonhos de lado. O que eu vi, certamente foi uma parcela muito pequena do que ela e o pai de vocês sentia, mas eles são pessoas tão incríveis! (Vocês sabem disso), são sonhadores natos e nunca, nunca deixaram de pensar em vocês.
Então veio a notícia que a espera tinha contagem regressiva, vocês estavam no forninho! Meu Deus, era tanta gente grata, tanta gente em festa que vocês nem imaginam (ou talvez sim, porque vocês sabem como a família de vocês é grande e ama uma festa). Eu mesma quando soube chorei de tanta alegria por vê o sonho dos pais de vocês sendo realizados. Era tanto amor por todos os lados que todos os ambientes ficaram mais leves.
E no dia que vocês chegaram? Meninas, vocês foram um presente de valor inestimável! Precisavam ver as caras dos pais de vocês: cansados e sorridentes, certamente o dia mais feliz da vida!
Lembro que fui visitá-las em casa na primeira semana. A mãe de vocês tinha uma agenda onde anotava todos os horários de mamadas e ficava as alternando na hora da alimentação de cada uma. Bom, um dado momento as duas queriam mamar! Não havia colo que consolasse a que estava longe dos seios da mamãe, então tentamos ajustar travesseiros e posturas para que as duas tivesse acesso. Papai ficou segurando uma e mamãe a outra. E eu? Bom, tirei a foto. Naquele momento, registrando a cena (na memória) eu fiz uma oração de gratidão... O que senti foi tão forte que discretamente sai para chorar (se a mamãe visse a aquariana aqui chorar, ia ficar chocada, no mínimo!). Senti felicidade e gratidão por ter acompanhado um pouco das lutas deles para a chegada de vocês, e agora estava acontecendo! E eu estava ali, podendo comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12:2), tenho certeza que a chegada de vocês foi encarada como um milagre e renovou a fé de muitos.
Meninas, desejo que tenham sempre olhares atento para as pequenas alegrias da vida, que sempre sejam as melhores amigas do mundo, que tenham muita saúde e desfrutem de todo o amor que as rodeia. Sejam felizes todos os dias.
Estendo as felicitações aos queridos amigos, Talita e Lucas, por sempre acreditarem nos dias melhores, tenho certeza que as meninas já começam a ter uma visão de mundo melhor através de vocês.
Um abraço enorme e com muita saudade, Ya.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Escada à baixo... Luz!

Noite anterior tive uns sonhos interessantes, um deles foi numa igreja. Sonhei que eu ia a igreja com meu namorado, ela tinha uma recepção massa, iluminação legal, a decoração com paredes de tijolo, quadros, piso de madeira... poderia facilmente ser um barzinho estiloso ou um estúdio de tatuagem. Então nós descíamos por uma escada em espiral no sentido horário, de degraus íngremes, estreitos e bem distantes um dos outros. 
Lá em baixo o espaço era enorme, um pouco menor que um ginásio. Haviam várias pessoas de igrejas diferentes e estavam reunidas para organizar uma festa. O jogo de luzes e decoração já estavam sendo testados e organizados, as mesinhas de madeira clara com tampo redondo e vasinhos pretos em cima, muito charmosinho, ornamentavam o ambiente e acomodavam as pessoas. 
Aí alguém começava a ver o repertório da noite, a primeira música foi aquela que eu gosto “me leva pra casa” e todo mundo lá começava a cantar junto, a capela. Era lindo, muito lindo. Tinha uma energia surreal ali. Eu abraçava meu namorado e dizia que ia chorar se cantasse e acho que ele me incentivou a cantar. 
Sei que continuamos abraçados e cantando ao pé do ouvido (coisa que eu nunca fiz inclusive e lembrava no sonho que era a primeira vez que fazia) eu chorava (muito) mas me sentia, sei lá, bem ali. Tão lindo, um sonho tão detalhado, tantas sensações, aquela música... 💕

Ainda era madrugada e faltou energia, assim que despertei, voltei a dormir e esqueci o sonho. Lembrei dele só quando coloquei o Spotify para tocar e tava no ponto aquela música Abba, da Laura. Foi como sonhar tudo de novo, tão lindo, que sensação boa! 

domingo, 9 de dezembro de 2018

(Portfólio) Segundo dia na comunidade

5 de maio de 2014
            (...)
Sendo assim, acompanhamos uma visita à dois rapazes, gêmeos, que possuem atrofia muscular espinhal progressiva do tipo 3.
Eles nos esperavam na área de casa e logo que entramos fomos conduzidos até os quartos, locais onde se realizava a fisioterapia. Enquanto alguém realizava alongamentos e exercícios respiratórios em um dos rapazes, eu observei bem mais do que apenas o atendimento: observei o detalhadamente o quarto em que estávamos.
O quarto era de um tom azul claro e tinha uma janela grande próxima a cama. Havia uma cômoda perto da porta, com uma série de soldadinhos organizados como num cenário de batalha; havia porta-retratos e em outra parede havia um espelho na altura ideal para um cadeirante e bem próximo havia uma prateleira com escova de cabelo, pente e outros utensílios pessoais (tudo ali era pessoal). Vi um computador ligado com um plano de fundo do cartaz da nova temporada de Game Of Thrones. Tudo naquele quarto possuía características impostas pelo dono e imprimia uma personalidade.
             Durante (e após) àquele atendimento fiquei pensando em como as pessoas confiam em nós ao ponto de abrir as portas de suas casas, seus quartos para que possamos intervir em suas vidas. Acreditam no trabalho que podemos oferecer e em nossa integridade. O trabalho da fisioterapia na atenção básica é de uma importância desproporcional ao que eu imaginava (é muito maior). Eu sabia que entraríamos nas casas das pessoas, mas não cheguei a imaginar (ou entender) o que isso realmente significava. Agora eu sei. Significa deixar um pouco de si e levar um pouco do outro; significa ensinar e aprender; significa compartilhar e confiar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

(Portfólio) Primeiro dia na comunidade


29 de abril de 2014
Primeiro dia na comunidade

No dia 29 de abril, logo após o feriado, iniciamos nossa vivência na comunidade. Nosso destino foi o uma unidade básica na zona norte da cidade e acompanharíamos os doutorandos em suas atividades naquela ali. O primeiro desafia foi chegar lá.
Superadas as dificuldades e chegado à unidade de saúde foi realizada uma pequena reunião, na qual nos foram passadas algumas informações a respeito do funcionamento da unidade e das nossas atividades junto a comunidade para as próximas segundas-feiras.
Nossa turma foi divida aleatoriamente em trios e cada trio era destinado a um doutorando. Neste caso, duas colegas e eu fomos designadas a uma doutoranda e, sob as orientações dela fomos realizar a visita domiciliar na casa da dona Julia.
Dona Julia é uma senhora de 91 anos, possui um amplo histórico de diagnóstico clínico (a exemplo cito HAS, Diabetes, artrose e Alzheimer) e possui histórico de quedas (fraturou o quadril D e joelho D). Ela mora com sua filha Marta, sua cunhada Iolanda e seu Marido Manoel. Dona Iolanda tem 82 anos e é hipertensa, diabética, tem colesterol alto, artrite e labirintite. Já seu Manoel tem Hipertensão Arterial Sistêmica, sequelas de um AVE ocorrido em 2004, além de problemas auditivos.
Logo que chegamos lá, fomos muito bem recebidas por dona Iolanda, a qual nos levou a Dona Julia, que já estava sentada em sua poltrona na sala para realizar os exercícios. Encontrava-se em uma camisola branca fina que se prolongava até seus tornozelos, além do sorriso que chegava aos olhos, usava tranças em seu cabelo mesclado branco e loiro. Dona Julia é uma figura adorável! Sorria de tudo e fazia piadas. Apesar da idade avançada e do Alzheimer, encontra-se lúcida neste dia e conversa bastante. O oposto do Sr. Manoel, que pouco fala e ou interage com as pessoas.
Enquanto a doutoranda atendia dona Julia e uma das minhas colegas realizava exercícios respiratórios com dona Iolanda (a pressão arterial dela estava um pouco elevada), a outra colega e eu fomos realizar algumas atividades com o Sr. Manoel. Como foi difícil professor! Dizíamos: “Sr. Manoel vamos alongar um pouco?” e ele dizia: “Se eu vou me deitar?”. Tínhamos que falar bem alto (praticamente gritando) e ainda assim não era uma garantia que seríamos ouvidas. Isso foi um pouco desconfortável pra mim: chegar na casa de alguém que nunca me viu e gritar, e pior, gritar com o dono da casa! Bom, mas enfim, do meio pro fim conseguimos criar um ritmo e nos fazer compreensíveis para ele de modo que logo nossa atividade com ele acabou e voltamos para a sala, onde ouvimos dona Julia falar sobre como conheceu Sr. Manoel e o início do casamento.
Eles estão juntos há 70 anos, tiveram 12 filhos mas até hoje ela diz: “Tenham cuidado com ele, pra não cair! (...) Meu velho, Nezin.” Achei isso tão doce, tão lindo ainda haver sentimentos que resistam há tantos anos, tantas doenças... Lá estão os dois, sendo cuidados pelos filhos, mas ainda se preocupam um com o outro e ajudam, da melhor forma que podem. Gostei deles!
Nem bem chegamos e a hora voou, logo tivemos que voltar a unidade de saúde. Lá, nos reunimos com o professor e os demais colegas e dividimos nossas experiências domiciliares. Foi bom ver que a maioria tinha gostado do que viu e ri de algumas situações engraçadas também. No fim das contas o dia tinha sido muito bom. O crescimento pessoal havia superado minhas expectativas e ainda restavam três semanas por ali.

(Portfólio) Família



Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.

A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda a noite
e a mulher que trata de tudo.

O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Alguma Poesia'

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Novo corte

Chegou no salão e ao perguntarem o que ela gostaria naquela tarde ela disse: 
- Quero um corte que dê leveza e movimento. Algo alegre e bonito. 

Mal percebera que o pedido não era para o cabelo e sim para a vida.

sábado, 13 de outubro de 2018

Lugar de paz

Olhei minha casa e senti algo estranho: não tinha cara de casa. Na verdade, se pensar bem, eu não me sentia à vontade em nenhum espaço, então talvez fosse mais um problema meu do que da casa. Sei lá, essa semana o mundo tava tão no sense, com notícias que poderiam ser piadas se não fossem realidades trágicas que eu me senti fora do ar. Nada disso combina com o que acho certo, com o estado de paz que tento manter, com a vibração que eu tento levar comigo, em mim. São dias difíceis para sonhadores, para quem tenta acreditar que as coisas podem ser boas, que as pessoas podem mudar de forma positiva.
Bom, voltando a casa, ela estava de um jeito que eu não lembro de ter visto outra vez: Na sala haviam roupas em todas as cadeiras, poeira retratando que a casa não foi varrida essa semana; na cozinha tinha louça suja (tipo, uma semana), fogão engordurado, comida estragada na geladeira; roupa no chão do pequeno escritório, pastas e papeis espalhados, livros caídos da estante; e, por fim, meu quarto que estava empoeirado, cheio de roupas amassadas em uma pilha que acabou caindo algum dia e ficou espalhada pelo chão. Como eu estava vivendo aqui? Mais parecia uma casa abandonada. 
Eu levo em consideração uma teoria que li há alguns anos a qual afirma que minha casa (externa) é um reflexo de mim (internamente) e sempre que vejo uma bagunça a mais na externa, reflito e vejo que a interna também está precisando de uma ordem. Dessa vez não foi diferente e, ao me dar conta disso, me senti muito mal e incomodada. Feriado e final de semana juntinho é bom, né?! Vontade de viajar, aproveitar mas, eu não ia conseguir aproveitar nada enquanto não desse um jeito nessas minhas moradas. Fiquei em casa e foi uma ótima decisão.
Coloquei aquela boa playlist bem alta e cantei junto cada verso. Lavei louça, o fogão, a geladeira, separei e organizei as roupas, tirei a poeira de todos os moveis e coloquei objetos em seus lugares. Pensei no que está acontecendo lá fora, como isso tem me afetado e o que eu posso fazer para bloquear isso. Coloquei o lixo fora, cuidei das minhas plantas, fiz almoço e passei pano na casa. Acendi um incenso, tomei banho, abri uma cerveja e fiquei sentada no chão, olhando para minha casa. Ela estava um caos quando acordei e agora estava assim: cheirosa, aconchegante, limpa. Deu uma sensação de paz então sorri, orgulhosa e naquele momento eu relembrei que sim, da para consertar as coisas, dentro ou fora de mim, desde que eu respeite o meu tempo (e tenha uma boa playlist), da para ter um lugar de paz no meio de todo esse caos que estamos vivendo e enquanto eu mantiver as coisas em ordem aqui onde vivo, será mais fácil lidar com o que vem de fora, dos outros. 



A paz invadiu o meu coração/ De repente, me encheu de paz/ Como se o vento de um tufão/ Arrancasse meus pés do chão/Onde eu já não me enterro mais/ (...) Eu vim/ Vim parar na beira do cais/ Onde a estrada chegou ao fim/ Onde o fim da tarde é lilás/ Onde o mar arrebenta em mim/ O lamento de tantos "ais"
A paz - Gilberto Gil e João Donato

sábado, 25 de agosto de 2018

A luz que o outro traz

Acordei já me sentido cansada, assim como ontem, anteontem, semana passada... Os dias não têm sido como eu imaginava. As vezes me pergunto se estaria me sentindo assim se tivesse feito outras escolhas, sei lá, nem vale muito a pena né?! É aqui onde estou agora.
Saio cedinho e as alegrias do dia ainda estão em ajudar os outros, ainda bem que posso, mesmo que o tanto que eu faça não seja reconhecido e eu seja tratada com mais desdém que uma aluna de primeiro período e não como a profissional que me esforço para ser.
Fiquei feliz que esse dia chegou, cheio de atividades externas, o que me proporciona sair daquele ambiente que me desanima. Mesmo tento um turno lá pelo menos eu estaria bem ocupada dessa vez.
Cheguei para meu atendimento no horário habitual, organizei minhas coisas, vesti o jaleco e esperei os prontuários chegarem. Enquanto não vinham, observei a sala. Um espaço de mais ou menos 3m², teto alto, paredes pintadas de amarelo com várias partes caindo, deixando transparecer o branco de uma tinta anterior e cheias de infiltrações. A iluminação também não é muito boa e há um cheiro de mofo e insetos quando ligo o ar condicionado (antigo, barulhento e que pinga dentro da sala), o que deixa o ambiente pouco confortável até mesmo para mim que mal noto o lugar hoje me dia. Acho que me habituei. 
As cadeiras são antigas, de metal, pintadas em um tom marfim e se arrastadas fazem um barulho bem irritante. A mesa á minha frente tem um tampo de granito cinza e é instável, de modo que se eu não me apoiar corretamente quando for escrever ela fica pendendo para um lado e para outro. Por mais que eu soubesse (ou achasse que soubesse) da realidade da atenção básica no país, não imaginava que estaria numa lugar assim. Dei mais uma rápida olhada, suspirei e decidi que já era hora de começar.
O primeiro caso foi uma senhorinha fofa, com cara de vó que faz bolo e crochê pros netos, sabe?! A consulta foi proveitosa pois vi nela vontade de mudar e permissão para que eu possa ajudar e isso vai me dando doses de alegria, por saber que estamos plantando uma boa sementinha ali, que o tanto que estudei e estudo vai servir para dar qualidade de vida a alguém que pouco conheço mas me importo.
Parcialmente revigorada, chamo o segundo paciente do dia, e ai vem ele. Mal sabia o que me esperava: um rapaz educado, inteligente, de 6 anos, acompanhado por sua mãe. 
Ele usava um óculos com armação estilosa, tipo de nerd e estava todo arrumadinho. Uma graça. Contou-me sua história muito bem e sozinho, conversava bem e eu já estava animada com aquela criança. Sabe, materno-infantil é uma área que eu gosto bastante e pretendo seguir; atender crianças me faz entrar num outro modo da minha profissão, no qual eu tento deixar essa criança o mais confortável possível, não usado palavras difíceis, brincando e respeitando suas preferencias dentro do possível para exercer meu papel.
Em determinado momento a mãe me contou que ele havia comentado em casa que, caso eu o restringisse de algo que ele gosta muito, não ia querer me ver mais e, por mais que fosse algo que eu não indico, era algo que poderia ser mantido por enquanto. Com isso ganhei a confiança do rapaz a minha frente. Ponto pra mim.
Terminei minha avaliação, sondando o que ele gostava e não gostava e fiz alguns acordos, tentando melhorar o que ele gostava. Ao final ele parou, solenemente, e disse: Tudo bem, eu vou fazer tudo isso que você pediu, estou fazendo um juramento com você." Nesse momento ele estendeu a mão direita com quatro dedos flexionados, mantendo apenas o mindinho estendido. Sim, ele estava fazendo um juramento do dedinho (aliás, do mindinho, como ele mesmo me corrigiu) comigo.
Aquilo me pegou de surpresa. Aquela inocência e seriedade que ele estava depositando no nosso momento me desconcertou de um jeito que eu não estava preparada, só em lembrar sinto as lágrimas arderem nos olhos. Sabe quando você esta fazendo um esforço colossal para se manter firme e vem alguém sorrindo e diz algo que lhe conforta de algum modo? Foi tão revigorante, tão belo, mesmo naquela sala de pouca ambiência, mesmo no local que eu pouco sou reconhecida pelo meu trabalho, ali com o dedinho estendido aquela criança brilhou. Brilhou de um jeito que na simplicidade (para muitos) do seu gesto foi a luz que eu precisava e não sabia, ou sabia e fingia que não precisava por não saber onde encontrar.
E quantas pessoas a gente encontra disposta a iluminar nossos dias, não é?! Quantas vezes a gente corre da luz com medo de cegar, nos acostumamos a sofrer calados ou reclamar sem ação, sem tentar mudar.
Crianças são a representação do recomeço, esperança, são verdeiras, tão e transmitem sinceridade. Nos últimos dias eu me encontrava num estado de cobrança e autocobrança frequente, pensando no futuro e me sentindo inerte, sem certezas. Tenho me desgastado com situações que me fazem mal e por mais que eu tente não pensar, hora ou outra elas vêm. Momentos como esse, com essa criança de 6 anos, que durou menos de um minuto, mudou minha energia e eu duvido que em sua inocência ele soubesse que poderia tanto com aquele dedinho solene.
Segurei-me para não chorar ali, mas em casa me permiti senti, deixar ir o que me incomodava e não merecia estar mais em mim. Fiz um juramento comigo mesma: lembrar daquele momento ou similar, quando me sentir esgotada. Buscar pessoas que transmitam luz e levar aos outros também. Estar entre iluminados nos afasta das sombras e reacende o caminho que vez ou outra some.
Rapazinho, muito obrigada por confiar em mim e me relembrar do bem que uma criança pode fazer. Já estou ansiosa por sua próxima visita.

"Vamos fazer o juramento do dedinho mindinho

Juntar o meu mindinho com o seu mindinho 

Então fechou o trato tá feito."

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Doses de ocitocina

Essa é uma lista simples e cheia de amor, feita com uma amiga com o objetivo de nós encher de paz. Escrita em dupla ou em trio, se considerar a comunhão com Deus que certamente estava conosco, achando ótimo. Ela nos aproxima de nós mesmas, da outra e dEle. Achei tão bonito que não resisti não dividir com quem mais queira (nos) ler e que bom que ela concordou com isso.

1- Deus sempre tem um propósito maior até no que nos parece ruim;
2- Eu sou capaz disso e muito mais;
3- A cada pessoa negativa por perto há pelo menos 3 positivas comigo;
4- Minhas escolhas me trouxeram aqui;
5- Na falta de opções, sempre há uma panela de brigadeiro por perto;
6- Sempre ao final do dia, agradecerei;
7- Eu fui o motivo do sorriso de alguém hoje; 
8- Lembrar que o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço; não hesitar abraçar alguém;
9- Chorar se precisar, isso não é sinal de fraqueza;
10- Nós somos fortes, e não há quem prove o contrário;
11- Nada é mais belo do que o mundo pelo olhar de uma criança;
12- Sempre temos um lugar para voltar e recarregar as energias;
13- Contar com quem se importa com nós, sem essa de disfarçar ou querer ser fortona;
14- Fazer algo que gosto por hobbie mesmo;
15- Antes de dormir pontuar as coisas boas do dia, só as boas;
16- Por mais que o dia esteja ruim, tentar ser luz na vida de alguém, com coisinhas aparentemente simples também, tipo uma lista;
17- Música sempre, dançante melhor ainda (não preciso dançar bem também, mas se mexer sim);
18- Conversar com Deus ou sobre ele, em qualquer lugar;
19- Isso é uma fase e, como toda fase, há desafios e aprendizados valiosos;
20- Deus nos capacita para tudo então se está ralado é porque Ele sabe que a gente consegue;
21- Ser feliz com coisas simples do dia a dia;
22- Às vezes a melhor terapia é tomar uma xícara de café com sua amiga;
23- Meditar um pouco; 
24- Brincar com meus sobrinhos;
25- Rever fotos antigas;
26- Por mais que esteja se sentindo ruim, sempre dá para ajudar alguém.


Se você chegou até aqui, espero que esta listinha tenha te levado paz também.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Fofoca Reversa

Você já foi vítima da fofoca reversa? Funciona assim: Quando você chega num ambiente as pessoas apontam para você e cochicham "é ela" "essa ai, ó"; você vai passando em algum lugar e ouve seu nome no meio de uma conversa; e as vezes alguém te para no meio de seu trajeto em um dia normal para falar o que pensa de você, na sua cara. 
E sabe o que mais? É a melhor coisa do mundo.
Eu já passei por isso outras vezes, mas hoje parei para refletir sobre minha alegria com meus dias e conclui que a fofoca reversa tem lá sua contribuição no meu estado de espírito, vê se não é motivo suficiente.
Cheguei no trabalho com uma roupa comum na minha prática, legging, camiseta e sapatilha, pra variar um pouco, coloquei um turbante e óculos de sol. Pronto, foi o suficiente para que houvessem cochichos quando cheguei. Passei novamente no corredor e alguém pergunta "Você é a fisioterapeuta?" Sim, respondi, já imaginando que a senhora ia reclamar por causa do horário ou coisa assim, mas para minha surpresa ela abriu um sorrisão e disse "Que coisa boa! Além de ter minha consulta hoje ainda será com você, tão linda! Me ensina a fazer esse penteado?" Ensino sim, pode deixar, chamo já a senhora. (Rindo desde o sorriso dela).
Chamei a primeira pessoa e os elogios continuaram, e melhor que isso, relatou estar observando melhoras significativas, estando praticamente de alta. O segundo disse que faz todos os exercícios e não sente dores relevantes, acredita que com a ajuda deles pode ficar bom, e pode mesmo. Disse que contou para um amigo e o amigo não acreditou ai ele mostrou uns e o tal amigo tentou fazer em casa e disse que sentiu-se bem "Mas vá lá na 'doutora' que ela te consulta, avalia e passa exercícios pra você", ele disse. "'Doutora' enquanto eu tava ali fora esperando, fiquei conversando com o senhor e ele disse que tem dor no punho. Eu disse que não tinha porque fazia esse alongamento aqui que a 'senhora' ensinou e mandei ele te procurar porque a 'senhora' tem uns exercícios certos". A terceira recebeu alta, dizendo não sentir mais nada há duas semanas, só disposição. Ensinei a amarração do turbante para a senhora que me parou na recepção e ela disse que queria em outra ocasião ver meu cabelo solto porque disseram a ela que ele é lindo e que tentará fazer a amarração em casa e se der certo, nem na próxima consulta. Engraçado pensar que algum dia da minha vida eu tive receio em usar esse cabelão volumoso, esse turbante alto e chamativo ou que já ouvi alguns comentários desnecessários sobre esse mesmo cabelo. Como é bom ver que nada é, tudo está.
A noite ouvi uma amiga questionar por quê a medicina era tão valorizada se a fisioterapia era Deus em forma de profissão, pois só poderia ser algo d'Ele o que fazemos com as mãos. Achei tão lindo, me desmontou toda, tamanho elogio não a mim mas a profissão que me escolheu.
E coisas desse tipo seguiram ao longo do dia. No dia anterior, no outro, no decorrer da semana... Como a pessoa fica senão grata?! Grata por poder usar o que aprendeu para ajudar o outro que eu mal conheço mas me procurou por ter alguma esperança que posso fazer alguma coisa por eles. E eu tento, tento muito. E quando dizem que falam por ai o quanto se sentem bem, que conseguem fazer coisas que há tempos não faziam... Alegria sem fim em sentir podemos ser luz e levar o bem.

Se você já foi "vítima" de fofoca reversa, não cale-se, passe a ideia a diante, pratique também. Fale, inclusive, na cara e melhore o dia de alguém. Todos estamos interligados de uma forma ou de outra e, o bem que você faz volta para ti. 

Escolha bem a energia que você emana.

Muita luz!

domingo, 24 de dezembro de 2017

Pequena retrospectiva DurvaLindas 2017

Um ano da para muita coisa né?! Como dizia naquele texto de ontem, o cara que fatiou o tempo foi um gênio, já que em 12 meses podemos perder as esperanças de tudo, chutar o pau da barraca e em seguida nos renovar, com a promessa de um novo ano, uma folha branca, limpinha, pronta para ser colorida.
Pensando nisso fiz uma pequena retrospectiva.

- Conheci umas meninas ai (lindas, por sinal) que eu são sabia que iria amar tanto (meus pais adoram duas delas, inclusive);
- Dividimos panelas, miojos e qualquer coisa que fosse comestível ou necessária;
- Minha casa passou a virar depósito da residência;
- Desenvolvi um pequeno vício por café;
- Desenvolvi uma relação de amor e "nunca mais tomo isso" com a cerveja;
- Vimos Patrícia sem produção alguma em menos de um mês que ela disse que isso nunca aconteceria;
- Pude dar um abraço em Talita num momento muito importante - só depois entendi o que significava; 
Vimos Claryssa, a qual achei sempre muito responsável, subi na contra mão de uma ponte - e foi divertido ver todos (embriagados) se darem conta disso no meio do trajeto;
- Vimos Jessica começar a namorar (hmmmmmm!) Ok, ok, vocês me viram na mesma situação também...
- Matamos algumas aulas;
- Viajamos juntas, seja Macau, Pau dos Ferros, Natal ou Recife;
- Pegamos caronas com desconhecidos;
- Fomos cúmplices em pequenos furtos copo de cachaça, garrafas, porta copos e claro, não podemos esquecer da tentativa dos palitos de churrasco no rebouças né?! (vide cuidando de quem cuida);
- Desenvolvemos nossos dotes seja em decoração, entretenimento de crianças ou na cozinha, né mores?!
- Rimos, fofocamos e cantamos (muito) nas caronas para as aulas;
- Tivemos várias reuniões para rir, comer e beber, sendo uma das mais marcantes aquela na casa de Claryssa. Também né, como poderíamos esquecer: Jessica vomitando a casa toda, eu mostrando toda minha flexibilidade enquanto Patrícia me mostrava para todo o instagram, Claryssa mostrando como se rebola e dança até o chão, Talita numa psicose por limpeza e Patrícia dormindo no sofá totalmente embriagada. Esse dia foi foda. Melhor foi acordar com uma puta ressaca moral e ter que ir para a biblioteca municipal ver a galera falando da minha abertura kkkkkk
- Não dá para esquecer também daquela cervejinha que passou da conta e ficaríamos devendo algumas moedas no Didi, se não fosse Claryssa ir lá. Isso nos rendeu mais uma cerveja então obrigada mais uma vez, garota!
- Descobrimos em Talita uma poliglota, Claryssa uma compositora das melhores paródias, eu mesma um ser humano do mundo a parte, Jessica a pessoa que super domina falar em público, inclusive diante das câmeras e Patrícia uma pessoa que tem os mais diversos tipos de orgasmos e até uns acidentes, tipo "AVC Gástrico";
- Tivemos alguns desentendimentos entre nós, nós e R2, nós com o mundo e tudo foi resolvido;
- Abrigamos umas a outras em alguns momentos inusitados como ficar sem água, sem chave ou por não aguentar mais dormir de rede;
- Aprendemos a aguentar a semana da TPM Coletiva.

Gente, tô acabando, juro!

Estivemos juntas para nos acobertar em algumas faltas, durante o acidente de Patrícia no qual presenta para mim um momento de extrema demonstração de fraternidade e acompanhamos o tratamento da mãe de Talita, dona Corminha, e vibramos de felicidade com o fim e sucesso dele.
Compartilhamos risos, suor, lágrimas, perrengues, conquistas e momentos, muitos momentos. Um ano dá para acontecer muita coisa mas acho que ninguém imaginou que o saldo de 2017 seria tão positivo assim, apesar de tudo.
Acho que ninguém imaginou que amizades tão fortes e sinceras poderia florescer em tão pouco tempo e de forma tão bonita. A união que conquistamos nos proporciona fazer coisas significativas para os outros e nos impulsiona a querer mais, nos exercer e nos realizar como profissionais. 
Eu sei, eu vinhemos ser residentes mais o que ganhamos bolsa nenhuma paga, é algo para além da UBS, para além de uma formação.
Meninas, muito obrigada por dividirem as vidas de vocês e participarem da minha, esse é um dos ciclos mais significativos da minha vida. Que o próximos continuemos emanando toda essa luz e amor e que a união prevaleça sempre e que os momentos seja de leveza, aprendizado e conquistas.
Que a esperança em dias melhores nunca nos abandone e que o medo não nos paralise, que o riso seja abundante, que os sobrinhos venha e, é claro que passemos todas em concursos (se possível, juntas). 
Amo vocês, garotas.

P.S.: Eu já havia escrito esse texto e ele tava prontinho para ser lido em nossa confraternização, mas eu não podia deixar de acrescentar aqui o causo do alagamento/dilúvio no apartamento de Patrícia e Talita. Já havíamos saído, plenas e belas quando nos ligaram para voltar ao condomínio pois o apartamento das meninas estava inundado! E não fazia nem 5 minutos que havíamos deixado o prédio. Ao chegar confirmamos, sim era muuuuuuita água e tudo que nos restou foi tirar os saltos, pegar os rodos e rir (muito), limpando a casa. Isso nos rendeu mais um momentos, 45 minutos de atraso e o possível livramento, pois a causa do vazamento é absurda. Ainda assim a noite foi emocionante e incrível. ;)

Amiga Secreta

HA! Olha eu aqui de novo. Essa menina só faz isso né?! Escreve, escreve como se quisesse gritar e não tivesse voz. Acho que ainda não aprendi a falar como se deve, o que se deve e me perco em devaneios, inclusive já estou em um. Só um segundo, deixa eu sair daqui.
Pronto. 
Sabe, cartas hoje em dia são tão raras, escritas na mão então.. nem se fala. Há uma preguiça instaurada a tudo que tenha uma tendência meio vintage. Não sei mas eu acho que há um charme nisso, saber que alguém dedicou um tempo escrevendo linhas tortas e garranchudas, correndo o risco de rasurar e ficar na dúvida se começa tudo de novo ou mantém o erro ali, para mostrar que nem tudo pode sair perfeito mesmo que haja boa intenção de fazer o melhor. Desculpa, fugi de novo do tema, e olha que isso ainda é a introdução. Vou me esforçar daqui para frente, prometo.
Dizem que Sêneca dizia (falo assim porque nunca li nenhuma obra dele, vi a frase na internet e com essa coisa não dá para confiar muito nas fontes, não é mesmo?) que dar um livro, além de uma gentileza, é também um elogio. E acho que você já percebeu que eu não consigo ver algo que considero bom e não compartilhar com aqueles que gosto (e até com os que não gosto muito, as vezes, mas não é seu caso, óbvio!).
Ler esse livro me trouxe muitas reflexões e uma forma diferente de ver e interpretar alguém que é tão conhecido e citado desde que nos entendemos por gente. Na verdade bem antes de existirmos. Espero que a leitura a agrade tanto quando a mim e que ela agregue a seu conhecimento, sua leveza, sua fé e paz.
Aproveitando o ensejo da rasgação de seda natalina, foi uma imensa alegria ter visto seu nome no papelzinho e poder presenteá-la com algo que gosto e também tenho em minha estante. Foi uma alegria imensa conviver com você, rir, partilhar tantos momentos e poder aprender mais sobre simplicidade e como tratar bem as pessoas. Que nossos dias continuem assim até quando for possível e, quando não for, que encontremos formas de criar novos momentos e novos ambientes.
Obrigada por nos presentear com sua presença, alegria e glamour. Obrigada por nos mostrar como ser plena e classuda todos os dias.

Obrigada por ser Claryssa, aquela que brilha, ilumina.
Feliz novo ciclo.
Beijos de luz.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Legado

Vez ou outra eu paro para pensar em coisas aparentemente banais, aquelas que sempre passam despercebidas, sabe?! Por exemplo, hoje atendi a dona Lúcia Almeida, Hannah Lima, Etelvina Menezes, Luiz Souza... São tantas pessoas, nomes, histórias que as vezes paro nos sobrenomes. Sei lá, difícil ver um sobrenome novo: geralmente eu já vi em outra pessoa e muitas vezes as partes nem mesmo se conhecem, são de outras cidades, estados... Outras realidades. Eu fico pensando em suas origens, o que carregam e penso mais ainda se forem os mesmos que compartilho em minha certidão de nascimento. De onde vieram? Até onde vão? O que significam?
Sobrenome, essa nossa herança, presente dos nossos pais, que herdaram dos nossos avós, dos bisavós e assim vai, numa linha que se perde no tempo. Meu sobrenome paterno, que os livros de história contam que veio da Espanha (tem escudo e tudo, hein?!) faz as pessoas suporem que sou da tradicional família de médicos da minha cidade-natal mas, na verdade, vem de uma cidadezinha chamada São Bento do Norte, no meio do nada. Na família Lima, de minha avó paterna muitos sofreram com a seca, a qual ocasionou, inclusive, a morte de uma bisa, ainda na infância. Tinha também uma Índia não muito distante. Quantas histórias cabem nos nomes de nossas famílias?
Sempre penso nos sobrenomes como legado, marcas, algo que nos acompanha independentemente de nosso querer e traz histórias, boas ou ruins mas que fazem parte de nós. Se somam a nossa essência, nossas raízes em palavras. O meu Souza pode não ter a mesma origem do seu mas certamente traz uma significância seja de luta, prestígio ou ambas. Ou nenhuma.
O orgulho que sinto ao assinar meu nome completo faz-me lembrar que o simples Souza, historicamente de origem portuguesa, esse Souza o comum nesse Brasilzão, está fazendo algo, levando a origem simples da minha família onde quer que eu pise, em cada conquista.
Seja Batista, Holanda, Gama, Diniz, Junqueira, Lopes, Cruz, Fonseca, Dantas, Albuquerque, Nogueira, Mendonça, Vilela, Rodrigues, Donato Oliveira, Silva... Ninguém é " mais um Silva" (Silva vem de nobres romanos, inclusive). Nenhum de nós cabemos num "só". Cada ser é a soma de diversos fatores, inclusive daquilo que nos deixaram, nosso Patrimônio imaterial. Você pode considerar presente ou carma, depende do seu ponto de vista.
Seja simples ou cheio de consoantes, qual sobrenome você se orgulha em carregar?
Qual sua origem? Que histórias carrega?

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Velhos olhos, novas perspectivas

Esse ano tem sido tão intenso que me surpreendo ao fazer algumas leituras e reflexões. No começo do ano ouvi de meu oftalmologia que só tenho cerca de 25% de acuidade visual, ou seja, uma visão péssima. E olha, eu só tenho 24. Como eu fiquei? Tão péssima quanto a visão... Foi difícil imaginar que nunca poderia dirigir, reconhecer pessoas a distância, escrever ou simplesmente ler um livro sem dificuldade. 
Curti minha bad, aliás, curto vez ou outra desde que descobri isso, o ceratocone (cerato, pros íntimos). Apesar da experiência fracassada em tentar usar lentes no passado, tentei de novo. Precisava tentar, por mim.
Hoje, há uma semana usando lentes, quase choro na estrada, ao parar perto de uma placa e conseguir ver suas linhas bem definidas. Ontem consegui enxergar as folhas da copa de uma árvore distante; cara, você não faz ideia de como eu fiquei feliz em conseguir ver a cidade de origem na placa do caminhão ali na frente.
Desde que coloquei as lentes fico rindo e com vontade de chorar, sério. Eu não esperava voltar a ler meus livros como antes, melhor aliás, pois posso manter o livro no colo e ainda assim ver as orações com nitidez. Consigo tantas coisas e me sinto tão feliz com o mundo novo que surge através dos olhos que já perderam 75% de visão, que eu queria poder mostrar as duas formas que enxergo para que você pudesse entender o tamanho da minha felicidade e de como a vida pode ser mais linda quando aceitamos novas perspectivas, novas tentativas, quando acreditamos que há possibilidades para aquelas questões​ sem jeito.
Lindas linhas nítidas me fazem sorrir, conseguir ver o rosto dos meus pais a distância me faz sorrir, ver meus olhos no espelho me fazem gargalhar de tanta felicidade. Acredite, novas lentes podem mudar a vida, mais de uma vida até. Esse ano tem sido de pura gratidão e quando paro para pensar me faltam palavras, nunca tantas coisas boas aconteceram de uma vez em minha vida, uma das melhores foi, sem dúvida, enxergar com "novos" olhos.


P.S.: Podemos pegar essa analogia das lentes e adaptar: será que estamos enxergando as situações do dia a dia com as "lentes" certas?

terça-feira, 6 de junho de 2017

A Dança da vida e a arte dos reencontros

Senta ai, perceba sua respiração e vamos falar sobre biodança. 

Na verdade, eu vou falar um pouco sobre uma vivência e espero conseguir metamorfosear isso, transformar em palavras e te fazer sentir o que senti (meta extremamente difícil).

Para quem não sabe, biodança (ou dança da vida) é uma prática que proporciona o encontro de pessoas com um grupo e com si, além de estimular sentidos e sentimentos através da música. A cada melodia uma nova linha de vivência pode ser estimulada/trabalhada. 
Há vários momentos, com vários ritmos também, uns em grupo, em dupla, ou individuais; a cada troca, era possível perceber o coração pulsar sangue por nossas veias e artérias, sentir o ar entrar e sair dos meus pulmões, sentir minhas pernas sedentárias reclamarem das minhas pequenas extravagâncias, sentir coisas que eu não sinto, ou dou pouca atenção quando sinto. Um dos momento que provavelmente vou guardar por um (bom) tempo foi o de uma melodia lenta e individual no qual nos portávamos sozinhos de olhos fechados e lentamente nos espalhávamos no ambiente, até estamos espalhados no chão, vários corpos se encontrando (com si e com o outro). Ao final nos reuníamos no centro e ficávamos sentido ali, simplesmente sentido: a música o toque, o chão frio, um carinho aqui, outro ali ao som de músicas de ninar. 
Sabe, eu tinha uma tia que durante minha infância sempre nos cantava músicas e inventava brincadeiras para nos entreter, ela era divertida apesar das muitas tristezas e problemas de saúde. Com o passar do tempo ela se mudou e nós nos afastamos, coisas da vida. Há uns 2 anos fui visitá-la e ela se quer me reconheceu, estando completamente imersa numa realidade só dela, até que há uns 10 dias às 6 da manhã recebi a notícia que ela havia falecido. Não foi realmente uma surpresa, afinal, ela estava em coma a cerca de 1 ano, já não se expressava, estava nos deixando. Até o momento daquela cantiga de ninar começar eu não havia me dado conta que não tinha chorado, sentido a falta dela, então, ali deitada no meio daquele emaranhado de corpos eu ouvi aquela cantiga que ela cantava e... chorei. Permiti-me as lágrimas, assim como fiz com o riso. Permiti-me sentir, liberar sentimento contido que até então eu não sabia estar contendo. Perceber isso foi como tirar uma venda, como abrir uma janela (interna ou externa?), quanta coisa podemos conter por hábito do cotidiano? Quanto cabe em cada pessoa? 
Chorei no chão e no momento seguinte, quando estávamos numa roda, abraçados pela cintura e embalados com uma música de aconchego, eu soluçava de tanto chorar e não me importei com isso (diferentemente da minha versão anterior, que era a versa a tais expressões). No fim das contas eu me senti bem, percebi que tenho me afastado muito de mim, de quem quero ser, entrado cada vez mais num piloto automático. Estar ali, hoje, me proporcionou um reencontro comigo mesma, olha... eu nem sabia que estava com tanta saudade de mim!  
A vivência da biodança enfatiza o toque, o se sentir, sentir o outro, encontros (externos e internos), relaxa e nos tira dessa rotina que muitas vezes nos suga, leva nossa energia vital e positividade. No mais, obrigada a todos os presentes por participarem desse momento de tamanha leveza e reencontro. Até a próxima!

"Música é um relacionamento que nunca vai te decepcionar
Um portal que conecta o corpo, a alma, a vida
É o que me faz acreditar nas pessoas ainda"
Sérgio Dall'Orto

segunda-feira, 29 de maio de 2017

DurvaLindas

Meninas, está é a fita de vocês.


Estou indo para casa e como a viagem é longa, já anoiteceu, mas dessa vez nem cochilei. Fiquei lembrando do dia, dos dias, de vocês e cá estou, escrevendo para organizar as idéias. Tento entender como e porquê conheci pessoas tão diferentes e maravilhosas, ou seja, perguntas que nunca responderei porque não é da minha patente. A ordem para isso tudo veio lá de cima, ordens do Criador (valeu, Pai!)
Quando vim morar aqui pensei que ia ser algo bem dificultoso para mim, uma vez que eu sou uma pessoa um pouco difícil para me aproximar das pessoas; quando não estou à vontade ou viajando muito, fico off e... tchau mundo (vocês já sabem disso), é tanto que uma das minhas metas era fazer amigos. Para tal teria que fazer um imenso sacrifício, que na real nem foi. Quando vi nossos nomes no quadro, confesso que não me fez muita diferença, afinal, não conhecia ninguém então só torci para que não fossem insuportáveis. Deixa eu contar um pouquinho sobre elas (espero não rasgar muita seda).
Meu primeiro contato foi com Talita, que veio com um jeito meio ansioso querendo saber se eu já tinha arranjado moradia, se queria dividir com ela e mais uma. Mesmo já tendo a ideia de morar só e gostar disso, concordei em procurarmos juntas, uma prova pessoal que estaria aberta a todas as possibilidades durante esse novo ciclo. Logo conheci Patrícia, que de cara me pareceu bem enjoada mas eu poderia lidar com isso; no dia da tenda do conto, ouvi brevemente a história de Rebeca e soube que era ela a enfermeira com um bebezinho que queria ficar naquela unidade por ser perto de casa, senti empatia por ela. Jéssica e Claryssa eu já conheci na UBS, antes disso não lembro delas (foi mal, gatas).
Lembro que logo no começo viajei com Talita de ônibus e, antes, fiquei com umas neuras "meu Deus, uma viagem longa dessas... E se a conversa não bater? E se ficar constrangedor?" Grande erro! Conversamos a viagem toda e eu já ganhei uma amiga (em tempo recorde), fiquei tão feliz por encontrar alguém com uma essência tão bonita, tão feita de amor da cabeça aos pés. Ela exala amor e alegria onde passa, é daquelas que a gente quer ter por perto, divertida que só ela. Acho que nunca me senti tão à vontade tão rápido para conversar sobre TUDO da minha vida, nem minhas amigas mais antigas souberam tanto de mim assim (não tão rápido, acho que isso tem a ver com a maturidade também) e eu me sinto tão bem por ter você por perto, até os puxões de orelha são válidos.
Patrícia, apesar da cara de metida que permanece, é uma pessoa linda. É não é porque é uma musa fitness não viu?! Dona de um coração enorme! Não se engane com essa cara de rica, ela já ralou muito na vida (um milhão de empregos, né?!) e adora potes de açaí kkkkk não, pera, corta isso, ela cuida dos que ama como uma leoa, ela se importa com o próximo, te bota para cima só por estar no mesmo ambiente (Patrícia é vida!).
Receba é a calma e paz em pessoa, cheia de -inhos (mãezinha, bebezinho, cartãozinho...), nem parece que vive numa correria dobrada que é a vida dela, toda tranquila, aparentemente. Admiro muito essa força de vontade, essa bondade sem fim (saiba que suas caronas tranquilizam o coração da minha mãe, obrigada por isso).
Claryssa tem cara de menina rica e postura também, ela é divertida, ansiosa (já quer decidir horário e roupa quando se fala em rolê kkkk). Eu gosto da resolutividade, do cuidado e das gargalhadas (tu compõe músicas como ninguém amiga, invista nisso!). Você, que queria amigos nessa cidade nos abraçou de uma forma tão fraterna, tão bonita... É até difícil descrever.
Por fim, ela. A filhinha de Claryssa, a fofa, xodózinho das Durvalindas, a que topa tudo (até dançar quadrilha sem música, do nada, comigo). É tão fácil estar com ela, pensamos parecido em muitos aspectos, gostamos de coisas parecidas (o mapa não mente, né?!) é muito fácil ser amiga dela e querer ser (mesmo que ela vomite uma vitamina deliciosa que você acabou de fazer).
Sei que não sou a fofa, o amorzinho que vocês achavam que eu era, mas depois dessa rara rasgação de seda, deixem-me ser (mais) fresca. Sabe, acho cedo para dizer que amo, mas Talita disse que amor não segue cronologia, então, meninas, amo vocês, vocês são a família que tenho aqui e acho louco, incrível e lindo a forma que nossa amizade tem crescido e se solidificado. Com vocês tenho me tornado uma pessoa melhor, tenho aprendido novas coisas sobre amizade e nem sei como agradecer por ter vocês comigo.
Vocês são pessoas incrivelmente loucas (todas!), maravilhosas, fortes, humanas, divertidas... as qualidades de cada uma nos faz um grupo diversificado e ao mesmo tempo unido. Ainda há muito para conhecer umas das outras, para aprender, mas eu já estou bem feliz com o que conheço e com o que temos, vocês são presentes.


P.s.: Desculpem informar, mas mesmo quando esse ciclo acabar vocês terão que me aguentar, por que eu sou muito ligada a família, não importa onde estejam. Lidem com isso.


P.s. 2: Vocês são muito sortudas por me terem por perto. 
           Somos sortudas por termos nos encontrado.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Coisas da Vida

Oi, deixa eu te contar algo que talvez não faça a menor diferença para você mas que talvez te faça sorrir com a reflexão, assim como me fez. Ontem eu tava meio bad por causa dos meus olhos (essa visão nem sempre boa) aí hoje fui fazer uma visita e a mãe do paciente pediu para tirar uma foto minha para mostrar a netinha o quanto meu cabelo era bonito. Depois do atendimento essa senhora foi me acompanhar até a unidade de saúde, afinal, eu não conhecia bem o caminho e, durante o trajeto um senhor me parou e disse "moça, deixa eu te pedir um favor, do fundo do meu coração?" Eu pensei que era sobre atendimento, para que eu realizasse alguma visita ou marcasse alguma consulta, coisa do tipo, mas aí ele continuou "... Nunca alise seu cabelo, ele é lindo, muito bonito... Você é! Hoje em dia tanta gente com cabelo alisado, tanta gente querendo ter um cabelo assim e não pode..." e saiu sorrindo e elogiando. Já de volta ao meu local de trabalho uma das colegas de trabalho pede para eu trocar de cabelo com ela.  
Conclusão: passei o resto da manhã sorrindo e pensando como as coisas da vida são, os olhos não estão lá essas coisas mas o cabelo... olha, tá numa fase boa hein?! 
(A vida adora uma zueira!).

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ah, mar!

Desde criança amo praia. No tempo em que eu levantava cadinho para assistir desenhos no sofá da sala, meus avós maternos levavam todos os netos para a praia nos domingos bem cedo (éramos 5 na época). Brincávamos como se nunca tivéssemos ido ali. Eu, claro, não queria sair da água.
Tal paixão pelo mar nunca me deixou e fico feliz por isso. O mar me causa uma sensação de leveza muito boa, me encanta. Sempre gostei de passeios de balsa, barco e tudo que envolva aquela água salgada. Sentar na areia de uma praia significa aprimorar meus sentidos e me desligar do mundo. O som das ondas quebrando, o sol refletido nas ondas, o gostinho salgado que fica na pele, o frio e o arrepio vindo da brisa... Tudo me deixa em outra estação, bem longe daqui, coisa que nenhum entorpecente consegue fazer. Acho que nossa relação de puro amor se intensificou desde o dia em que encontrei a plenitude pela primeira vez.
Eu tinha quase 18 e estava numa praia, famosa por sua beleza, com uns amigos. No fim da tarde do nosso segundo dia lá, fomos dar uma volta no calçadão e sentamos em uma escadaria que levava a areia da praia. Eram quase 17h e ventava bastante. Sentamos em silêncio e contemplamos. Logo os pensamentos cessaram e veio uma sensação boa, como se o mundo fosse perfeito e eu fosse inteira. Encontrei a paz. Não sei definir bem como, mas era uma sensação que dava vontade de gritar, cantar e ao menos tempo ficar quietinha. O sorriso era inevitável, assim como o arrepio na pele. A paz invadiu meu coração ali, naquela praia que fui pensando em bagunça.
A paz não é branca como dizem e divulgam por ai. Ela é multicolorida, um prisma lindo e tem um gosto salgado.
Depois dessa experiência, encontrei a plenitude mais duas vezes e todas elas foram de frente ao mar, então como não amá-lo? Como não tentar encontrá-la sempre que puder?


Meu refúgio, meu lugar, meu mar. Longe de ti fico perdida, vazia. Te ver e não me alegrar não faz sentido. Não te ver por muito tempo é absurdo, faz mal a minha saúde (física, biológica e mental). Me perco e me acho ali, diante de ti.