quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Caminhos do coração - Gonzaguinha

Há muito tempo que eu saí de casa

Há muito tempo que eu caí na estradaHá muito tempo que eu estou na vidaFoi assim que eu quis, e assim eu sou feliz
Principalmente por poder voltarA todos os lugares onde já chegueiPois lá deixei um prato de comidaUm abraço amigo, um canto pra dormir e sonharE aprendi que se depende sempreDe tanta, muita, diferente genteToda pessoa sempre é as marcasDas lições diárias de outras tantas pessoas
E é tão bonito quando a gente entendeQue a gente é tanta gente onde quer que a gente váE é tão bonito quando a gente senteQue nunca está sozinho por mais que pense estar
É tão bonito quando a gente pisa firmeNessas linhas que estão nas palmas de nossas mãosÉ tão bonito quando a gente vai à vidaNos caminhos onde bate, bem mais forte o coração (oi!)
É tão bonito quando a gente pisa firmeNessas linhas que estão nas palmas de nossas mãosÉ tão bonito quando a gente vai à vidaNos caminhos onde bate, bem mais forte o coração

terça-feira, 9 de julho de 2024

Sete meses

Empolgação.
Nova área.
"Mãe meio período"
Doença.
Tratamento.
Vida.
Bad.
Noivado.
Trabalho, trabalho, tabalho.
Burnout.
Leitura salva.
Fé.
Esperança.
Empolgação.

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Nota mental para uma nova fase

 Feliz em encontrar novos caminhos na fisioterapia. Sinto-me animada em tentar algo fora da caixa, fora das linhas tradicionais ensinadas na faculdade. Acredito que coisas incríveis serão realizadas a partir de deste ponto, desta decisão. Eu permito que o futuro se manifeste da melhor forma possível.

quinta-feira, 3 de março de 2022

Reencontro

Nos últimos tempos tenho escrito pouco e sentido falta disso (tem alguns textos anteriores falando sobre) por vários motivos para ser sincera: tempos caóticos, ansiedade, impaciência, visão ruim. Crescer é uma bagunça né?! Quando mais jovem nada disso me impedia de escrever, pelo contrário, ajudava bastante e instigava as palavras na verdade. Bom, algo que tenho sentido alegria em fazer é reler meus textos. Que delícia encontrar tanto de mim! E não só de mim, mas das histórias que vivi, da criatividade das minhas frases, de reflexões que me fizeram bem (algumas ainda se aplicam) e até dos errinhos ortográficos que sempre passam batidos na revisão.

Mais uma vez a leitura e escrita estão me ajudando, só que dessa vez de uma forma diferente, porém igualmente satisfatória. Então é isso, só queria deixar registrado aqui essa notinha, essa pequena alegria da vida adulta, o prazer de me (re)ler e estar me (re)escrevendo.


quinta-feira, 14 de maio de 2020

Alegria em forma de gente

Olha só quem tá ficando mais velho!
Em meio a essa pandemia acredito que muitas coisas, pessoas, gestos e relações tem sido repensadas.
Relembrando a época que te conheci, e tudo que aconteceu de lá para cá, eu fico feliz em ter você entre meu pequeno grupo de amigos (amigos mesmo, que conto para além de zueira).
Apesar de ter feito toda a graduação na mesma turma, só nos aproximamos no último ano. Você seria minha dupla em tudo e a gente mal se falava até então! Estávamos juntos na primeira aspiração em UTI, nos auxiliando, nas voltinhas de ambulância, nos perrengues com Fafá. Se não fosse você eu teria reprovado no estágio de uro, porque ali descobri que realmente não seria minha área de atuação. 
Depois a pós e os cursos em terapias integrativas, até para Recife nós fomos numa viagem super engraçada do começo ao fim, só para fazer um curso! 
Fico muito grata por acompanhar de perto seu crescimento e por termos crescido juntos em muitas coisas. Você se tornou uma referência para mim, não só como profissional mas principalmente como pessoa. O abraço fica para depois da quarentena, mas o carinho... esse ultrapassa as barreiras da distância, do vírus e tudo mais. Logo a gente toma umas cervejas para comemorar e relembra a viagem para Serrinha, nossas viagens com reiki, auriculo, aromaterapia, astrologia... 
Continue espalhando sua luz, sua alegria para todos que tenham a sorte de te conhecer. Aproveite (com responsabilidade) como puder esse dia. Sinta-se beijado, abraço, bajulado e lisonjeado. 
Amo você, meu amigo e dupla (em quase tudo) desde a faculdade!

sábado, 4 de abril de 2020

Carta à primeira Teresa


Alguém já disse que te ama hoje?

Vó!!! Como você está? 
Que saudade dos seus beijos estalados, do abraço apertado e claro, dessa frase que tanto amo dita por você e hoje tatuada em mim (no coração e nas minhas costas). Hoje é dia de completar mais um ciclo dessa sua jornada cheia de obstáculos e alegrias e eu sou grata a Deus por sua existência em minha vida desde sempre, me ensinando, amando, alimentando (saudade da sua comida). Vó, desde que sai de casa para estudar tenho a compreensão que precisamos aproveitar cada tempinho juntas, pois não sabemos quando pode ser repetir. No entanto, agora mais que nunca, entendo a importância disso. A importância de presença, do contato, do abraço. Quando tudo isso passar, vamos ficar abraçadinhas a tarde toda nessa sua cama que sempre cabe todos os filhos, netos e bisnetos. Desejo saúde, muitos anos de vida e alegrias. 
Te amo muito, minha veinha.

Carta as arianas Alice e Luísa


04.04.2020

Queridas arianinhas, sei que a leitura das palavras ainda não faz parte da vida de vocês. O momento pede explorar outros campos, afinal, o mundo é tão vasto e ainda tão novo para as duas, mas queria deixar aqui algumas palavras que um dia talvez sejam lidas pelas senhoritas.
Quando conheci a mamãe e o papai, vocês ainda eram um sonho, sempre falado com um brilho nos olhos. Já eram amadas antes mesmo de estarem no ventre da mamãe. No primeiro ano perto da mãe de vocês eu a vi enfrentar uma série de dificuldades que abalam qualquer pessoa e deixaria sonhos de lado. O que eu vi, certamente foi uma parcela muito pequena do que ela e o pai de vocês sentia, mas eles são pessoas tão incríveis! (Vocês sabem disso), são sonhadores natos e nunca, nunca deixaram de pensar em vocês.
Então veio a notícia que a espera tinha contagem regressiva, vocês estavam no forninho! Meu Deus, era tanta gente grata, tanta gente em festa que vocês nem imaginam (ou talvez sim, porque vocês sabem como a família de vocês é grande e ama uma festa). Eu mesma quando soube chorei de tanta alegria por vê o sonho dos pais de vocês sendo realizados. Era tanto amor por todos os lados que todos os ambientes ficaram mais leves.
E no dia que vocês chegaram? Meninas, vocês foram um presente de valor inestimável! Precisavam ver as caras dos pais de vocês: cansados e sorridentes, certamente o dia mais feliz da vida!
Lembro que fui visitá-las em casa na primeira semana. A mãe de vocês tinha uma agenda onde anotava todos os horários de mamadas e ficava as alternando na hora da alimentação de cada uma. Bom, um dado momento as duas queriam mamar! Não havia colo que consolasse a que estava longe dos seios da mamãe, então tentamos ajustar travesseiros e posturas para que as duas tivesse acesso. Papai ficou segurando uma e mamãe a outra. E eu? Bom, tirei a foto. Naquele momento, registrando a cena (na memória) eu fiz uma oração de gratidão... O que senti foi tão forte que discretamente sai para chorar (se a mamãe visse a aquariana aqui chorar, ia ficar chocada, no mínimo!). Senti felicidade e gratidão por ter acompanhado um pouco das lutas deles para a chegada de vocês, e agora estava acontecendo! E eu estava ali, podendo comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12:2), tenho certeza que a chegada de vocês foi encarada como um milagre e renovou a fé de muitos.
Meninas, desejo que tenham sempre olhares atento para as pequenas alegrias da vida, que sempre sejam as melhores amigas do mundo, que tenham muita saúde e desfrutem de todo o amor que as rodeia. Sejam felizes todos os dias.
Estendo as felicitações aos queridos amigos, Talita e Lucas, por sempre acreditarem nos dias melhores, tenho certeza que as meninas já começam a ter uma visão de mundo melhor através de vocês.
Um abraço enorme e com muita saudade, Ya.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Escada à baixo... Luz!

Noite anterior tive uns sonhos interessantes, um deles foi numa igreja. Sonhei que eu ia a igreja com meu namorado, ela tinha uma recepção massa, iluminação legal, a decoração com paredes de tijolo, quadros, piso de madeira... poderia facilmente ser um barzinho estiloso ou um estúdio de tatuagem. Então nós descíamos por uma escada em espiral no sentido horário, de degraus íngremes, estreitos e bem distantes um dos outros. 
Lá em baixo o espaço era enorme, um pouco menor que um ginásio. Haviam várias pessoas de igrejas diferentes e estavam reunidas para organizar uma festa. O jogo de luzes e decoração já estavam sendo testados e organizados, as mesinhas de madeira clara com tampo redondo e vasinhos pretos em cima, muito charmosinho, ornamentavam o ambiente e acomodavam as pessoas. 
Aí alguém começava a ver o repertório da noite, a primeira música foi aquela que eu gosto “me leva pra casa” e todo mundo lá começava a cantar junto, a capela. Era lindo, muito lindo. Tinha uma energia surreal ali. Eu abraçava meu namorado e dizia que ia chorar se cantasse e acho que ele me incentivou a cantar. 
Sei que continuamos abraçados e cantando ao pé do ouvido (coisa que eu nunca fiz inclusive e lembrava no sonho que era a primeira vez que fazia) eu chorava (muito) mas me sentia, sei lá, bem ali. Tão lindo, um sonho tão detalhado, tantas sensações, aquela música... 💕

Ainda era madrugada e faltou energia, assim que despertei, voltei a dormir e esqueci o sonho. Lembrei dele só quando coloquei o Spotify para tocar e tava no ponto aquela música Abba, da Laura. Foi como sonhar tudo de novo, tão lindo, que sensação boa! 

domingo, 9 de dezembro de 2018

(Portfólio) Segundo dia na comunidade

5 de maio de 2014
            (...)
Sendo assim, acompanhamos uma visita à dois rapazes, gêmeos, que possuem atrofia muscular espinhal progressiva do tipo 3.
Eles nos esperavam na área de casa e logo que entramos fomos conduzidos até os quartos, locais onde se realizava a fisioterapia. Enquanto alguém realizava alongamentos e exercícios respiratórios em um dos rapazes, eu observei bem mais do que apenas o atendimento: observei o detalhadamente o quarto em que estávamos.
O quarto era de um tom azul claro e tinha uma janela grande próxima a cama. Havia uma cômoda perto da porta, com uma série de soldadinhos organizados como num cenário de batalha; havia porta-retratos e em outra parede havia um espelho na altura ideal para um cadeirante e bem próximo havia uma prateleira com escova de cabelo, pente e outros utensílios pessoais (tudo ali era pessoal). Vi um computador ligado com um plano de fundo do cartaz da nova temporada de Game Of Thrones. Tudo naquele quarto possuía características impostas pelo dono e imprimia uma personalidade.
             Durante (e após) àquele atendimento fiquei pensando em como as pessoas confiam em nós ao ponto de abrir as portas de suas casas, seus quartos para que possamos intervir em suas vidas. Acreditam no trabalho que podemos oferecer e em nossa integridade. O trabalho da fisioterapia na atenção básica é de uma importância desproporcional ao que eu imaginava (é muito maior). Eu sabia que entraríamos nas casas das pessoas, mas não cheguei a imaginar (ou entender) o que isso realmente significava. Agora eu sei. Significa deixar um pouco de si e levar um pouco do outro; significa ensinar e aprender; significa compartilhar e confiar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

(Portfólio) Primeiro dia na comunidade


29 de abril de 2014
Primeiro dia na comunidade

No dia 29 de abril, logo após o feriado, iniciamos nossa vivência na comunidade. Nosso destino foi o uma unidade básica na zona norte da cidade e acompanharíamos os doutorandos em suas atividades naquela ali. O primeiro desafia foi chegar lá.
Superadas as dificuldades e chegado à unidade de saúde foi realizada uma pequena reunião, na qual nos foram passadas algumas informações a respeito do funcionamento da unidade e das nossas atividades junto a comunidade para as próximas segundas-feiras.
Nossa turma foi divida aleatoriamente em trios e cada trio era destinado a um doutorando. Neste caso, duas colegas e eu fomos designadas a uma doutoranda e, sob as orientações dela fomos realizar a visita domiciliar na casa da dona Julia.
Dona Julia é uma senhora de 91 anos, possui um amplo histórico de diagnóstico clínico (a exemplo cito HAS, Diabetes, artrose e Alzheimer) e possui histórico de quedas (fraturou o quadril D e joelho D). Ela mora com sua filha Marta, sua cunhada Iolanda e seu Marido Manoel. Dona Iolanda tem 82 anos e é hipertensa, diabética, tem colesterol alto, artrite e labirintite. Já seu Manoel tem Hipertensão Arterial Sistêmica, sequelas de um AVE ocorrido em 2004, além de problemas auditivos.
Logo que chegamos lá, fomos muito bem recebidas por dona Iolanda, a qual nos levou a Dona Julia, que já estava sentada em sua poltrona na sala para realizar os exercícios. Encontrava-se em uma camisola branca fina que se prolongava até seus tornozelos, além do sorriso que chegava aos olhos, usava tranças em seu cabelo mesclado branco e loiro. Dona Julia é uma figura adorável! Sorria de tudo e fazia piadas. Apesar da idade avançada e do Alzheimer, encontra-se lúcida neste dia e conversa bastante. O oposto do Sr. Manoel, que pouco fala e ou interage com as pessoas.
Enquanto a doutoranda atendia dona Julia e uma das minhas colegas realizava exercícios respiratórios com dona Iolanda (a pressão arterial dela estava um pouco elevada), a outra colega e eu fomos realizar algumas atividades com o Sr. Manoel. Como foi difícil professor! Dizíamos: “Sr. Manoel vamos alongar um pouco?” e ele dizia: “Se eu vou me deitar?”. Tínhamos que falar bem alto (praticamente gritando) e ainda assim não era uma garantia que seríamos ouvidas. Isso foi um pouco desconfortável pra mim: chegar na casa de alguém que nunca me viu e gritar, e pior, gritar com o dono da casa! Bom, mas enfim, do meio pro fim conseguimos criar um ritmo e nos fazer compreensíveis para ele de modo que logo nossa atividade com ele acabou e voltamos para a sala, onde ouvimos dona Julia falar sobre como conheceu Sr. Manoel e o início do casamento.
Eles estão juntos há 70 anos, tiveram 12 filhos mas até hoje ela diz: “Tenham cuidado com ele, pra não cair! (...) Meu velho, Nezin.” Achei isso tão doce, tão lindo ainda haver sentimentos que resistam há tantos anos, tantas doenças... Lá estão os dois, sendo cuidados pelos filhos, mas ainda se preocupam um com o outro e ajudam, da melhor forma que podem. Gostei deles!
Nem bem chegamos e a hora voou, logo tivemos que voltar a unidade de saúde. Lá, nos reunimos com o professor e os demais colegas e dividimos nossas experiências domiciliares. Foi bom ver que a maioria tinha gostado do que viu e ri de algumas situações engraçadas também. No fim das contas o dia tinha sido muito bom. O crescimento pessoal havia superado minhas expectativas e ainda restavam três semanas por ali.

(Portfólio) Feriado - Carnaval


3 de Março de 2014
Feriado - Carnaval
         
          Neste dia ainda estávamos em pleno carnaval, então obviamente, não houve aula.
          Agora que o carnaval passou é interessante pensar na significância que esta data tem no calendário nacional. Sem choro nem vela, a vida começa após o carnaval, Ainda que façamos promessas de um ano melhor no ano novo, nos damos o prazo de tolerância até depois do carnaval. E, nos locais em que o ano começa logo após o ano novo, a impressão que tenho é de que as coisas meio que se arrastam, como se estivessem acontecendo por pura obrigação.
          Será que nós, brasileiros, precisamos mesmo de uma quarta de cinzas para renascer? Para recomeçar a vida ou continuar de onde ela parou?

(Portfólio) Família



Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.

A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda a noite
e a mulher que trata de tudo.

O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Alguma Poesia'

(Portfólio) Apresentação da disciplina e considerações gerais a respeito do sus


10 de fevereiro de 2014 
Apresentação da disciplina e considerações gerais a respeito do sus 
            
            (...)
          Ao escrever esta parte do portfólio não consigo esquecer que, na mesma semana que tivemos essa aula, o irmão de uma amiga morreu e, isso ainda mexe um pouco comigo. Um misto de dor (por me colocar no lugar dela e perder um irmão tão precocemente), raiva (por ver o quão pouco vale a vida e como a violência é aleatória) e pena (por ver o quanto as pessoas estão perdidas) É uma junção de sentimentos e sensações tão grande, que me faltam palavras para descrever (acho que sentimentos genuínos são indescritíveis). Passei uns dias ouvindo uma música chamada Ainda há tempo, de Criolo, na qual ele diz que não existem pessoas más, elas só estão perdidas. Concordo. Eis um trecho que fico repetindo em minha mente:
“Deus sabe sempre o que tá fazendo
Mesmo sabendo disso eu sofro, vai vendo
Quem tem noção das coisas,
sente o peso da maldade
A cobrança é maior (...)”
          Viajei né? Ou talvez não.  Violência, sentidos... tudo isso influencia no nosso bem-estar e, consequentemente, na saúde, certo?

Nova tag! + Portfólio

Ontem fui procurar um material para um trabalho da residência e encontrei uns portfólios que produzi em uma disciplina da faculdade. Um em 2014, quando pagávamos a disciplina de fisioterapia na atenção básica, a qual uma parte era na sala de aula, com muita teoria e a outra era, de fato, na comunidade. O segundo portfólio foi em 2015 e já era o estágio na atenção básica, no último período da faculdade. 
Lendo relembrei de tanta coisa, fez bem refletir o quanto eu gostei de me inserir na atenção básica e ver que isso perdurou e tem se concretizado cada vez mais nos meus caminhos profissionais. A gratidão por continuar ajudando permanece e cresce a cada dia e eu não poderia me sentir melhor non exercício de uma profissão. Para quem não está familiarizado com portfólio, vou colocar aqui algumas definições, que usei nos trabalhos mesmo:

Sm. 1. Pasta de cartão usada para guardar documentos em geral; 2.  Pasta contendo material de um ilustrador, etc.
 Minidicionário Soares Amora, 2009.
 SM. 1. Cartão duplo desdobrável usado para guardar papeis; pasta, porta-fólio. 2. Conjunto ou coleção do que está ou pode ser guardado num portfólio. 3. Conjunto de trabalhos de um artista ou agência usado para divulgação.
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 2009

Assim, adaptando a palavra Portfólio para a realidade acadêmica, é um conjunto de documentos a respeito de um tema comum, além de contar com nossa visão reflexiva. No meu caso, especificamente, tratava-se de um conjunto de textos a respeito da minha vivência na comunidade, como fisioterapeuta em formação.


Eu me dedicava muito a produção dos textos, acho que coloquei mais reflexões e devaneios do que elementos acadêmicos. Fiquei orgulhosa com a forma que eu escrevia e refleti sobre como escrevo hoje, acho que a dificuldade de tempo para me dedicar a ler e escrever já refletem no meu processo criativo, mas enfim, vou compartilhar aqui algumas coisas. Não vale rir de uma menina que achava que seria a próxima Martha Medeiro, tá? Obrigada, de nada.




01 de fevereiro de 2014
Auto apresentação

Antes de iniciar de fato o assunto “fisioterapia em atenção básica”, julgo importante que saiba um pouco sobre mim. Não a acadêmica do nome completo da capa, só Yara, para que entenda um pouco dos meus possíveis devaneios no decorrer deste trabalho.
O meu nome não preciso dizer, já foi dito. Sou de Macau e moro aqui há três anos. Vim para estudar mesmo e é tudo que tenho feito desde então. É impossível dizer que não sinto saudade de casa e vontade de voltar a morar lá um dia. Lá eu tenho meus pais, irmãos e meu mascote, Tyson, o poodle mais carinhoso desse mundo. Sinto saudade da minha casa e da minha janela que dá vista para o rio Piranhas-Assú (Esta parecendo um roteiro de Nicholas Sparks, mas é tudo verdade, eu juro). Sinto saudades de muita coisa da minha terra natal, mas, o que me mantem aqui é o fato de que depois disso tudo eu poderei ajudar muita gente com os conhecimentos que venho absorvendo através da faculdade e de todos os meus esforços. Depois dos atendimentos realizados no semestre passado vi que tudo isso vale a pena.
Podem me chamar de nerd (aliás, já chamam), mas eu gosto de estudar e cada vez que compreendo algo novo, me encanto mais pelo saber. Acho que tenho um vício: quando algo me interessa, tudo que eu puder pesquisar é pouco para suprir minha curiosidade a respeito daquilo. Conhecimento me fascina, o que me leva a falar de outra das minhas paixões: Leitura. Eu aprecio a leitura e está é uma relação antiga. Através da leitura consegui, ao longo dos anos, aprimorar meu vocabulário, interpretação, expressão, imaginação e escrita.
Então, eu gosto de estudar, ler e escrever e não demorou muito para eu me arriscar numa amostra de docência, de modo que em 2013 participei de um processo seletivo para uma monitoria e passei. De fato não tinha muita esperança de passar, mas aconteceu. E foi uma das minhas melhores experiências acadêmicas. Eu cresci em diversos aspectos. Aprendi muito mais do que quando estudei as disciplinas, fiz amigos e ainda ajudei muita gente. Ensinar por um ano foi uma experiência fantástica e eu não quero parar por ai. Quem sabe no futuro possamos ser colegas no ensino, não é mesmo professor? Já disse Cora Coralina: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”, eis um dos meus planos para o futuro.
Acho que agora podemos começar de verdade. Se eu falar muita besteira entre os textos é por causa da minha mania aguçada de imaginar pelo hábito de escrever.



sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Novo corte

Chegou no salão e ao perguntarem o que ela gostaria naquela tarde ela disse: 
- Quero um corte que dê leveza e movimento. Algo alegre e bonito. 

Mal percebera que o pedido não era para o cabelo e sim para a vida.

sábado, 13 de outubro de 2018

Lugar de paz

Olhei minha casa e senti algo estranho: não tinha cara de casa. Na verdade, se pensar bem, eu não me sentia à vontade em nenhum espaço, então talvez fosse mais um problema meu do que da casa. Sei lá, essa semana o mundo tava tão no sense, com notícias que poderiam ser piadas se não fossem realidades trágicas que eu me senti fora do ar. Nada disso combina com o que acho certo, com o estado de paz que tento manter, com a vibração que eu tento levar comigo, em mim. São dias difíceis para sonhadores, para quem tenta acreditar que as coisas podem ser boas, que as pessoas podem mudar de forma positiva.
Bom, voltando a casa, ela estava de um jeito que eu não lembro de ter visto outra vez: Na sala haviam roupas em todas as cadeiras, poeira retratando que a casa não foi varrida essa semana; na cozinha tinha louça suja (tipo, uma semana), fogão engordurado, comida estragada na geladeira; roupa no chão do pequeno escritório, pastas e papeis espalhados, livros caídos da estante; e, por fim, meu quarto que estava empoeirado, cheio de roupas amassadas em uma pilha que acabou caindo algum dia e ficou espalhada pelo chão. Como eu estava vivendo aqui? Mais parecia uma casa abandonada. 
Eu levo em consideração uma teoria que li há alguns anos a qual afirma que minha casa (externa) é um reflexo de mim (internamente) e sempre que vejo uma bagunça a mais na externa, reflito e vejo que a interna também está precisando de uma ordem. Dessa vez não foi diferente e, ao me dar conta disso, me senti muito mal e incomodada. Feriado e final de semana juntinho é bom, né?! Vontade de viajar, aproveitar mas, eu não ia conseguir aproveitar nada enquanto não desse um jeito nessas minhas moradas. Fiquei em casa e foi uma ótima decisão.
Coloquei aquela boa playlist bem alta e cantei junto cada verso. Lavei louça, o fogão, a geladeira, separei e organizei as roupas, tirei a poeira de todos os moveis e coloquei objetos em seus lugares. Pensei no que está acontecendo lá fora, como isso tem me afetado e o que eu posso fazer para bloquear isso. Coloquei o lixo fora, cuidei das minhas plantas, fiz almoço e passei pano na casa. Acendi um incenso, tomei banho, abri uma cerveja e fiquei sentada no chão, olhando para minha casa. Ela estava um caos quando acordei e agora estava assim: cheirosa, aconchegante, limpa. Deu uma sensação de paz então sorri, orgulhosa e naquele momento eu relembrei que sim, da para consertar as coisas, dentro ou fora de mim, desde que eu respeite o meu tempo (e tenha uma boa playlist), da para ter um lugar de paz no meio de todo esse caos que estamos vivendo e enquanto eu mantiver as coisas em ordem aqui onde vivo, será mais fácil lidar com o que vem de fora, dos outros. 



A paz invadiu o meu coração/ De repente, me encheu de paz/ Como se o vento de um tufão/ Arrancasse meus pés do chão/Onde eu já não me enterro mais/ (...) Eu vim/ Vim parar na beira do cais/ Onde a estrada chegou ao fim/ Onde o fim da tarde é lilás/ Onde o mar arrebenta em mim/ O lamento de tantos "ais"
A paz - Gilberto Gil e João Donato

Vibes

O redator - Zimbra
Sintonia - Nx Zero
Meu vão - Phill Veras
Pensando bem - Tó Brandileone e Pedro Altério 
Tudo fora de lugar - Mariana Nolasco
Pra você guardei o amor - Nando Reis
Então você - Zimbra
Vou por ai - Angela Ro Ro
Agora eu quero ir - Anavitória
Sentimentos confusos - Raffa Mogi
Ausência - Marília Mendonça
Ainda não passou - Nando Reis
Breve - Zimbra
Pra você dar nome - 5 a Seco
Origami - Mar Aberto
O destino não quis - Maneva
Quem vai dizer tchau? - Nando Reis
Eu te amo e nem sei - Zimbra
Grito de alerta - Gonzaguinha
Acabou de Acabar - Phill Veras
O tudo, o nada e o mundo - Zimbra
Que amor é esse? - Zeca Baleiro
As canções que você fez pra mim - Maria Bethânia
Vou te escrever um rap - Atitude 67
Trem - Zimbra
Amianto - Supercombo
Fátima - Capital Incial
Por nós dois - Zimbra
Baby eu queria - Nando Reis

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Nota de pesar

Cá estou olhando para minha estante, cheia de livros não lidos que eu quero ler mas não consigo. É estranho lembrar que eu era uma leitora ávida e agora me sinto sem capacidade de ler um livro de 400 páginas (que outrora me era sedutor). Escrever também não é mais uma realidade, ainda que eu tenha muitas palavras e sentimentos para colocar para fora, está tudo acumulado aqui e sem data para ir embora, infelizmente.
Sabe, o que era natural parece não se encaixar mais e isso até dói pois muita coisa me fazia bem. Eu não sei... tô perdida de mim e essa sensação só piora quando olho para a realidade do nosso país, das pessoas que nos rodeiam e se dizem de bem mas abraçam e cultuam o que é mal. Eu não entendo. O mundo está ao contrário e ninguém reparou.
E, sabe, está difícil sonhar e vibrar positividade nesse cenário cinza de puro caos, suor e sangue.
Se alguém me achar por aí, me devolver pra mim.

Tudo passa, tudo passará. 
E nossa estória, não estar 
Pelo avesso assim 
Sem final feliz. 
Teremos coisas bonitas prá contar. 
E até lá vamos viver 
Temos muito ainda por fazer. 
Não olhe para trás 
Apenas começamos 
O mundo começa agora 
Apenas começamos.”


P.S.: o livro segue fechado.

sábado, 25 de agosto de 2018

Mercúrio em Peixes

Depois que eu comecei a estudar astrologia passei a encontrar um autoconhecimento que eu nem sabia que poderia existir nos astros. Quadraturas, sinastria, mapa astral, evolução, revolução solar, casas, planetas... é tanta coisa nesse meio que as vezes me perco, viajo.
Um dos aspectos que achei mais interessante no meu mapa, até agora, foi esse mercúrio logo em peixes, tudo fez sentido depois que o descobri em mim. Mercúrio fala sobre raciocínio, comunicação, tem um quê de lógica e racionalidade. Peixes é da água, pura emoção, vai do 8 ao 80 em segundos. Eis o meu racional: cheio de uma emoção visceral.
Eu faço, entendo e falo coisas com muito mais emoção do que precisaria ou deveria. Não significa que eu choro ou escandalizo, mas eu sinto, sinto muito. Tudo. Se eu leio um livro eu imagino cada detalhe descrito; se ouço uma música eu imagino o contexto que foi escrita, a sensação de quem escreveu e quem serviu de inspiração; se alguém me conta uma situação que passou eu me vejo naquele lugar ou consigo visualizar perfeitamente aquela pessoa lá; eu tenho imaginação aguçada e as vezes me ponho em situações hipotéticas e consigo sentir dor, até mesmo física. 
Empatia eu tenho, e muita, nem queria ter tanta pois acabo me envolvendo em histórias que nem me cabem, não consigo ver um problema e não querer ajuda, não me preocupar. 
Mercúrio em peixes é confuso pois, o que era para ser razão é emoção que não se contém. Quando eu lembro de um fato o que vem a minha mente primeiro é o que eu senti ali, se foi divertido, lembro dos cheiros, das pessoas... Não me pede para contar algo pb, eu gosto de cores, vida. Vivo numa intensa contradição entre enfeitar o mundo com palavras e formas inspiradoras de o ver e a realidade cinza que nos cerca. É difícil sonhar aqui, sabia?! Por isso eu vivo me ausentando, viajando pro meu mundinho que funciona no seu próprio tempo, bem aqui na minha cabeça, basta eu olhar pro nada por dois minutos e já estou lá, caçando a mim mesma, numa busca sem fim.
Isso pode ser bom ou ruim, depende do momento. 
As vezes me frusto quando não entendem que as coisas são mais do que preto no branco, quando não entendem minha inquietação com o que não é o X da questão, quando tento explicar que vejo que vejo as coisas de forma bem mais ampla que esse pontinho para o qual todos apontam e é obvio, então desisto, canso e fujo.
As vezes a gente tem que tá aqui, mas insiste em fugir.
Eu me refugio na minha mente e nas palavras que escrevo ou leio. Na minha bagunça eu me perco e me acho, me organizo no meu caos. Cresço nos conflitos que só eu vejo e sinto. Na arte eu me fico à vontade, todas começam de uma viagem do artista.  
Por ser movida a emoções minhas certezas são meio instáveis, dependem muito do que estou sentido, dos meus dias e essa é uma característica que eu não gosto tanto mas é bem forte no meu comportamento, no que me faz ser quem sou. Meu instinto também é muito forte, e eu posso me fazer de doida, mas sei que ele esta certo, quase sempre está mesmo que eu não queira. 
Mercúrio em peixes me joga numa viagem da imaginação no terreno da razão, do sentimento no racional, do abstrato no concreto. É doido, instável, entranho, belo, confuso, inspirador e fascinante. É multiplicar tudo, potencializar o ponto, a vírgula e a exclamação. 
Exclamar cada sentimento. 
E sentir tudo que nem sempre é sentido.

A luz que o outro traz

Acordei já me sentido cansada, assim como ontem, anteontem, semana passada... Os dias não têm sido como eu imaginava. As vezes me pergunto se estaria me sentindo assim se tivesse feito outras escolhas, sei lá, nem vale muito a pena né?! É aqui onde estou agora.
Saio cedinho e as alegrias do dia ainda estão em ajudar os outros, ainda bem que posso, mesmo que o tanto que eu faça não seja reconhecido e eu seja tratada com mais desdém que uma aluna de primeiro período e não como a profissional que me esforço para ser.
Fiquei feliz que esse dia chegou, cheio de atividades externas, o que me proporciona sair daquele ambiente que me desanima. Mesmo tento um turno lá pelo menos eu estaria bem ocupada dessa vez.
Cheguei para meu atendimento no horário habitual, organizei minhas coisas, vesti o jaleco e esperei os prontuários chegarem. Enquanto não vinham, observei a sala. Um espaço de mais ou menos 3m², teto alto, paredes pintadas de amarelo com várias partes caindo, deixando transparecer o branco de uma tinta anterior e cheias de infiltrações. A iluminação também não é muito boa e há um cheiro de mofo e insetos quando ligo o ar condicionado (antigo, barulhento e que pinga dentro da sala), o que deixa o ambiente pouco confortável até mesmo para mim que mal noto o lugar hoje me dia. Acho que me habituei. 
As cadeiras são antigas, de metal, pintadas em um tom marfim e se arrastadas fazem um barulho bem irritante. A mesa á minha frente tem um tampo de granito cinza e é instável, de modo que se eu não me apoiar corretamente quando for escrever ela fica pendendo para um lado e para outro. Por mais que eu soubesse (ou achasse que soubesse) da realidade da atenção básica no país, não imaginava que estaria numa lugar assim. Dei mais uma rápida olhada, suspirei e decidi que já era hora de começar.
O primeiro caso foi uma senhorinha fofa, com cara de vó que faz bolo e crochê pros netos, sabe?! A consulta foi proveitosa pois vi nela vontade de mudar e permissão para que eu possa ajudar e isso vai me dando doses de alegria, por saber que estamos plantando uma boa sementinha ali, que o tanto que estudei e estudo vai servir para dar qualidade de vida a alguém que pouco conheço mas me importo.
Parcialmente revigorada, chamo o segundo paciente do dia, e ai vem ele. Mal sabia o que me esperava: um rapaz educado, inteligente, de 6 anos, acompanhado por sua mãe. 
Ele usava um óculos com armação estilosa, tipo de nerd e estava todo arrumadinho. Uma graça. Contou-me sua história muito bem e sozinho, conversava bem e eu já estava animada com aquela criança. Sabe, materno-infantil é uma área que eu gosto bastante e pretendo seguir; atender crianças me faz entrar num outro modo da minha profissão, no qual eu tento deixar essa criança o mais confortável possível, não usado palavras difíceis, brincando e respeitando suas preferencias dentro do possível para exercer meu papel.
Em determinado momento a mãe me contou que ele havia comentado em casa que, caso eu o restringisse de algo que ele gosta muito, não ia querer me ver mais e, por mais que fosse algo que eu não indico, era algo que poderia ser mantido por enquanto. Com isso ganhei a confiança do rapaz a minha frente. Ponto pra mim.
Terminei minha avaliação, sondando o que ele gostava e não gostava e fiz alguns acordos, tentando melhorar o que ele gostava. Ao final ele parou, solenemente, e disse: Tudo bem, eu vou fazer tudo isso que você pediu, estou fazendo um juramento com você." Nesse momento ele estendeu a mão direita com quatro dedos flexionados, mantendo apenas o mindinho estendido. Sim, ele estava fazendo um juramento do dedinho (aliás, do mindinho, como ele mesmo me corrigiu) comigo.
Aquilo me pegou de surpresa. Aquela inocência e seriedade que ele estava depositando no nosso momento me desconcertou de um jeito que eu não estava preparada, só em lembrar sinto as lágrimas arderem nos olhos. Sabe quando você esta fazendo um esforço colossal para se manter firme e vem alguém sorrindo e diz algo que lhe conforta de algum modo? Foi tão revigorante, tão belo, mesmo naquela sala de pouca ambiência, mesmo no local que eu pouco sou reconhecida pelo meu trabalho, ali com o dedinho estendido aquela criança brilhou. Brilhou de um jeito que na simplicidade (para muitos) do seu gesto foi a luz que eu precisava e não sabia, ou sabia e fingia que não precisava por não saber onde encontrar.
E quantas pessoas a gente encontra disposta a iluminar nossos dias, não é?! Quantas vezes a gente corre da luz com medo de cegar, nos acostumamos a sofrer calados ou reclamar sem ação, sem tentar mudar.
Crianças são a representação do recomeço, esperança, são verdeiras, tão e transmitem sinceridade. Nos últimos dias eu me encontrava num estado de cobrança e autocobrança frequente, pensando no futuro e me sentindo inerte, sem certezas. Tenho me desgastado com situações que me fazem mal e por mais que eu tente não pensar, hora ou outra elas vêm. Momentos como esse, com essa criança de 6 anos, que durou menos de um minuto, mudou minha energia e eu duvido que em sua inocência ele soubesse que poderia tanto com aquele dedinho solene.
Segurei-me para não chorar ali, mas em casa me permiti senti, deixar ir o que me incomodava e não merecia estar mais em mim. Fiz um juramento comigo mesma: lembrar daquele momento ou similar, quando me sentir esgotada. Buscar pessoas que transmitam luz e levar aos outros também. Estar entre iluminados nos afasta das sombras e reacende o caminho que vez ou outra some.
Rapazinho, muito obrigada por confiar em mim e me relembrar do bem que uma criança pode fazer. Já estou ansiosa por sua próxima visita.

"Vamos fazer o juramento do dedinho mindinho

Juntar o meu mindinho com o seu mindinho 

Então fechou o trato tá feito."