sábado, 4 de abril de 2020

Carta à primeira Teresa


Alguém já disse que te ama hoje?

Vó!!! Como você está? 
Que saudade dos seus beijos estalados, do abraço apertado e claro, dessa frase que tanto amo dita por você e hoje tatuada em mim (no coração e nas minhas costas). Hoje é dia de completar mais um ciclo dessa sua jornada cheia de obstáculos e alegrias e eu sou grata a Deus por sua existência em minha vida desde sempre, me ensinando, amando, alimentando (saudade da sua comida). Vó, desde que sai de casa para estudar tenho a compreensão que precisamos aproveitar cada tempinho juntas, pois não sabemos quando pode ser repetir. No entanto, agora mais que nunca, entendo a importância disso. A importância de presença, do contato, do abraço. Quando tudo isso passar, vamos ficar abraçadinhas a tarde toda nessa sua cama que sempre cabe todos os filhos, netos e bisnetos. Desejo saúde, muitos anos de vida e alegrias. 
Te amo muito, minha veinha.

Carta as arianas Alice e Luísa


04.04.2020

Queridas arianinhas, sei que a leitura das palavras ainda não faz parte da vida de vocês. O momento pede explorar outros campos, afinal, o mundo é tão vasto e ainda tão novo para as duas, mas queria deixar aqui algumas palavras que um dia talvez sejam lidas pelas senhoritas.
Quando conheci a mamãe e o papai, vocês ainda eram um sonho, sempre falado com um brilho nos olhos. Já eram amadas antes mesmo de estarem no ventre da mamãe. No primeiro ano perto da mãe de vocês eu a vi enfrentar uma série de dificuldades que abalam qualquer pessoa e deixaria sonhos de lado. O que eu vi, certamente foi uma parcela muito pequena do que ela e o pai de vocês sentia, mas eles são pessoas tão incríveis! (Vocês sabem disso), são sonhadores natos e nunca, nunca deixaram de pensar em vocês.
Então veio a notícia que a espera tinha contagem regressiva, vocês estavam no forninho! Meu Deus, era tanta gente grata, tanta gente em festa que vocês nem imaginam (ou talvez sim, porque vocês sabem como a família de vocês é grande e ama uma festa). Eu mesma quando soube chorei de tanta alegria por vê o sonho dos pais de vocês sendo realizados. Era tanto amor por todos os lados que todos os ambientes ficaram mais leves.
E no dia que vocês chegaram? Meninas, vocês foram um presente de valor inestimável! Precisavam ver as caras dos pais de vocês: cansados e sorridentes, certamente o dia mais feliz da vida!
Lembro que fui visitá-las em casa na primeira semana. A mãe de vocês tinha uma agenda onde anotava todos os horários de mamadas e ficava as alternando na hora da alimentação de cada uma. Bom, um dado momento as duas queriam mamar! Não havia colo que consolasse a que estava longe dos seios da mamãe, então tentamos ajustar travesseiros e posturas para que as duas tivesse acesso. Papai ficou segurando uma e mamãe a outra. E eu? Bom, tirei a foto. Naquele momento, registrando a cena (na memória) eu fiz uma oração de gratidão... O que senti foi tão forte que discretamente sai para chorar (se a mamãe visse a aquariana aqui chorar, ia ficar chocada, no mínimo!). Senti felicidade e gratidão por ter acompanhado um pouco das lutas deles para a chegada de vocês, e agora estava acontecendo! E eu estava ali, podendo comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12:2), tenho certeza que a chegada de vocês foi encarada como um milagre e renovou a fé de muitos.
Meninas, desejo que tenham sempre olhares atento para as pequenas alegrias da vida, que sempre sejam as melhores amigas do mundo, que tenham muita saúde e desfrutem de todo o amor que as rodeia. Sejam felizes todos os dias.
Estendo as felicitações aos queridos amigos, Talita e Lucas, por sempre acreditarem nos dias melhores, tenho certeza que as meninas já começam a ter uma visão de mundo melhor através de vocês.
Um abraço enorme e com muita saudade, Ya.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Escada à baixo... Luz!

Noite anterior tive uns sonhos interessantes, um deles foi numa igreja. Sonhei que eu ia a igreja com meu namorado, ela tinha uma recepção massa, iluminação legal, a decoração com paredes de tijolo, quadros, piso de madeira... poderia facilmente ser um barzinho estiloso ou um estúdio de tatuagem. Então nós descíamos por uma escada em espiral no sentido horário, de degraus íngremes, estreitos e bem distantes um dos outros. 
Lá em baixo o espaço era enorme, um pouco menor que um ginásio. Haviam várias pessoas de igrejas diferentes e estavam reunidas para organizar uma festa. O jogo de luzes e decoração já estavam sendo testados e organizados, as mesinhas de madeira clara com tampo redondo e vasinhos pretos em cima, muito charmosinho, ornamentavam o ambiente e acomodavam as pessoas. 
Aí alguém começava a ver o repertório da noite, a primeira música foi aquela que eu gosto “me leva pra casa” e todo mundo lá começava a cantar junto, a capela. Era lindo, muito lindo. Tinha uma energia surreal ali. Eu abraçava meu namorado e dizia que ia chorar se cantasse e acho que ele me incentivou a cantar. 
Sei que continuamos abraçados e cantando ao pé do ouvido (coisa que eu nunca fiz inclusive e lembrava no sonho que era a primeira vez que fazia) eu chorava (muito) mas me sentia, sei lá, bem ali. Tão lindo, um sonho tão detalhado, tantas sensações, aquela música... 💕

Ainda era madrugada e faltou energia, assim que despertei, voltei a dormir e esqueci o sonho. Lembrei dele só quando coloquei o Spotify para tocar e tava no ponto aquela música Abba, da Laura. Foi como sonhar tudo de novo, tão lindo, que sensação boa! 

domingo, 9 de dezembro de 2018

(Portfólio) Segundo dia na comunidade

5 de maio de 2014
            (...)
Sendo assim, acompanhamos uma visita à dois rapazes, gêmeos, que possuem atrofia muscular espinhal progressiva do tipo 3.
Eles nos esperavam na área de casa e logo que entramos fomos conduzidos até os quartos, locais onde se realizava a fisioterapia. Enquanto alguém realizava alongamentos e exercícios respiratórios em um dos rapazes, eu observei bem mais do que apenas o atendimento: observei o detalhadamente o quarto em que estávamos.
O quarto era de um tom azul claro e tinha uma janela grande próxima a cama. Havia uma cômoda perto da porta, com uma série de soldadinhos organizados como num cenário de batalha; havia porta-retratos e em outra parede havia um espelho na altura ideal para um cadeirante e bem próximo havia uma prateleira com escova de cabelo, pente e outros utensílios pessoais (tudo ali era pessoal). Vi um computador ligado com um plano de fundo do cartaz da nova temporada de Game Of Thrones. Tudo naquele quarto possuía características impostas pelo dono e imprimia uma personalidade.
             Durante (e após) àquele atendimento fiquei pensando em como as pessoas confiam em nós ao ponto de abrir as portas de suas casas, seus quartos para que possamos intervir em suas vidas. Acreditam no trabalho que podemos oferecer e em nossa integridade. O trabalho da fisioterapia na atenção básica é de uma importância desproporcional ao que eu imaginava (é muito maior). Eu sabia que entraríamos nas casas das pessoas, mas não cheguei a imaginar (ou entender) o que isso realmente significava. Agora eu sei. Significa deixar um pouco de si e levar um pouco do outro; significa ensinar e aprender; significa compartilhar e confiar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

(Portfólio) Primeiro dia na comunidade


29 de abril de 2014
Primeiro dia na comunidade

No dia 29 de abril, logo após o feriado, iniciamos nossa vivência na comunidade. Nosso destino foi o uma unidade básica na zona norte da cidade e acompanharíamos os doutorandos em suas atividades naquela ali. O primeiro desafia foi chegar lá.
Superadas as dificuldades e chegado à unidade de saúde foi realizada uma pequena reunião, na qual nos foram passadas algumas informações a respeito do funcionamento da unidade e das nossas atividades junto a comunidade para as próximas segundas-feiras.
Nossa turma foi divida aleatoriamente em trios e cada trio era destinado a um doutorando. Neste caso, duas colegas e eu fomos designadas a uma doutoranda e, sob as orientações dela fomos realizar a visita domiciliar na casa da dona Julia.
Dona Julia é uma senhora de 91 anos, possui um amplo histórico de diagnóstico clínico (a exemplo cito HAS, Diabetes, artrose e Alzheimer) e possui histórico de quedas (fraturou o quadril D e joelho D). Ela mora com sua filha Marta, sua cunhada Iolanda e seu Marido Manoel. Dona Iolanda tem 82 anos e é hipertensa, diabética, tem colesterol alto, artrite e labirintite. Já seu Manoel tem Hipertensão Arterial Sistêmica, sequelas de um AVE ocorrido em 2004, além de problemas auditivos.
Logo que chegamos lá, fomos muito bem recebidas por dona Iolanda, a qual nos levou a Dona Julia, que já estava sentada em sua poltrona na sala para realizar os exercícios. Encontrava-se em uma camisola branca fina que se prolongava até seus tornozelos, além do sorriso que chegava aos olhos, usava tranças em seu cabelo mesclado branco e loiro. Dona Julia é uma figura adorável! Sorria de tudo e fazia piadas. Apesar da idade avançada e do Alzheimer, encontra-se lúcida neste dia e conversa bastante. O oposto do Sr. Manoel, que pouco fala e ou interage com as pessoas.
Enquanto a doutoranda atendia dona Julia e uma das minhas colegas realizava exercícios respiratórios com dona Iolanda (a pressão arterial dela estava um pouco elevada), a outra colega e eu fomos realizar algumas atividades com o Sr. Manoel. Como foi difícil professor! Dizíamos: “Sr. Manoel vamos alongar um pouco?” e ele dizia: “Se eu vou me deitar?”. Tínhamos que falar bem alto (praticamente gritando) e ainda assim não era uma garantia que seríamos ouvidas. Isso foi um pouco desconfortável pra mim: chegar na casa de alguém que nunca me viu e gritar, e pior, gritar com o dono da casa! Bom, mas enfim, do meio pro fim conseguimos criar um ritmo e nos fazer compreensíveis para ele de modo que logo nossa atividade com ele acabou e voltamos para a sala, onde ouvimos dona Julia falar sobre como conheceu Sr. Manoel e o início do casamento.
Eles estão juntos há 70 anos, tiveram 12 filhos mas até hoje ela diz: “Tenham cuidado com ele, pra não cair! (...) Meu velho, Nezin.” Achei isso tão doce, tão lindo ainda haver sentimentos que resistam há tantos anos, tantas doenças... Lá estão os dois, sendo cuidados pelos filhos, mas ainda se preocupam um com o outro e ajudam, da melhor forma que podem. Gostei deles!
Nem bem chegamos e a hora voou, logo tivemos que voltar a unidade de saúde. Lá, nos reunimos com o professor e os demais colegas e dividimos nossas experiências domiciliares. Foi bom ver que a maioria tinha gostado do que viu e ri de algumas situações engraçadas também. No fim das contas o dia tinha sido muito bom. O crescimento pessoal havia superado minhas expectativas e ainda restavam três semanas por ali.