domingo, 6 de janeiro de 2019

Escada à baixo... Luz!

Noite anterior tive uns sonhos interessantes, um deles foi numa igreja. Sonhei que eu ia a igreja com meu namorado, ela tinha uma recepção massa, iluminação legal, a decoração com paredes de tijolo, quadros, piso de madeira... poderia facilmente ser um barzinho estiloso ou um estúdio de tatuagem. Então nós descíamos por uma escada em espiral no sentido horário, de degraus íngremes, estreitos e bem distantes um dos outros. 
Lá em baixo o espaço era enorme, um pouco menor que um ginásio. Haviam várias pessoas de igrejas diferentes e estavam reunidas para organizar uma festa. O jogo de luzes e decoração já estavam sendo testados e organizados, as mesinhas de madeira clara com tampo redondo e vasinhos pretos em cima, muito charmosinho, ornamentavam o ambiente e acomodavam as pessoas. 
Aí alguém começava a ver o repertório da noite, a primeira música foi aquela que eu gosto “me leva pra casa” e todo mundo lá começava a cantar junto, a capela. Era lindo, muito lindo. Tinha uma energia surreal ali. Eu abraçava meu namorado e dizia que ia chorar se cantasse e acho que ele me incentivou a cantar. 
Sei que continuamos abraçados e cantando ao pé do ouvido (coisa que eu nunca fiz inclusive e lembrava no sonho que era a primeira vez que fazia) eu chorava (muito) mas me sentia, sei lá, bem ali. Tão lindo, um sonho tão detalhado, tantas sensações, aquela música... 💕

Ainda era madrugada e faltou energia, assim que despertei, voltei a dormir e esqueci o sonho. Lembrei dele só quando coloquei o Spotify para tocar e tava no ponto aquela música Abba, da Laura. Foi como sonhar tudo de novo, tão lindo, que sensação boa! 

domingo, 9 de dezembro de 2018

(Portfólio) Segundo dia na comunidade

5 de maio de 2014
            (...)
Sendo assim, acompanhamos uma visita à dois rapazes, gêmeos, que possuem atrofia muscular espinhal progressiva do tipo 3.
Eles nos esperavam na área de casa e logo que entramos fomos conduzidos até os quartos, locais onde se realizava a fisioterapia. Enquanto alguém realizava alongamentos e exercícios respiratórios em um dos rapazes, eu observei bem mais do que apenas o atendimento: observei o detalhadamente o quarto em que estávamos.
O quarto era de um tom azul claro e tinha uma janela grande próxima a cama. Havia uma cômoda perto da porta, com uma série de soldadinhos organizados como num cenário de batalha; havia porta-retratos e em outra parede havia um espelho na altura ideal para um cadeirante e bem próximo havia uma prateleira com escova de cabelo, pente e outros utensílios pessoais (tudo ali era pessoal). Vi um computador ligado com um plano de fundo do cartaz da nova temporada de Game Of Thrones. Tudo naquele quarto possuía características impostas pelo dono e imprimia uma personalidade.
             Durante (e após) àquele atendimento fiquei pensando em como as pessoas confiam em nós ao ponto de abrir as portas de suas casas, seus quartos para que possamos intervir em suas vidas. Acreditam no trabalho que podemos oferecer e em nossa integridade. O trabalho da fisioterapia na atenção básica é de uma importância desproporcional ao que eu imaginava (é muito maior). Eu sabia que entraríamos nas casas das pessoas, mas não cheguei a imaginar (ou entender) o que isso realmente significava. Agora eu sei. Significa deixar um pouco de si e levar um pouco do outro; significa ensinar e aprender; significa compartilhar e confiar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

(Portfólio) Primeiro dia na comunidade


29 de abril de 2014
Primeiro dia na comunidade

No dia 29 de abril, logo após o feriado, iniciamos nossa vivência na comunidade. Nosso destino foi o uma unidade básica na zona norte da cidade e acompanharíamos os doutorandos em suas atividades naquela ali. O primeiro desafia foi chegar lá.
Superadas as dificuldades e chegado à unidade de saúde foi realizada uma pequena reunião, na qual nos foram passadas algumas informações a respeito do funcionamento da unidade e das nossas atividades junto a comunidade para as próximas segundas-feiras.
Nossa turma foi divida aleatoriamente em trios e cada trio era destinado a um doutorando. Neste caso, duas colegas e eu fomos designadas a uma doutoranda e, sob as orientações dela fomos realizar a visita domiciliar na casa da dona Julia.
Dona Julia é uma senhora de 91 anos, possui um amplo histórico de diagnóstico clínico (a exemplo cito HAS, Diabetes, artrose e Alzheimer) e possui histórico de quedas (fraturou o quadril D e joelho D). Ela mora com sua filha Marta, sua cunhada Iolanda e seu Marido Manoel. Dona Iolanda tem 82 anos e é hipertensa, diabética, tem colesterol alto, artrite e labirintite. Já seu Manoel tem Hipertensão Arterial Sistêmica, sequelas de um AVE ocorrido em 2004, além de problemas auditivos.
Logo que chegamos lá, fomos muito bem recebidas por dona Iolanda, a qual nos levou a Dona Julia, que já estava sentada em sua poltrona na sala para realizar os exercícios. Encontrava-se em uma camisola branca fina que se prolongava até seus tornozelos, além do sorriso que chegava aos olhos, usava tranças em seu cabelo mesclado branco e loiro. Dona Julia é uma figura adorável! Sorria de tudo e fazia piadas. Apesar da idade avançada e do Alzheimer, encontra-se lúcida neste dia e conversa bastante. O oposto do Sr. Manoel, que pouco fala e ou interage com as pessoas.
Enquanto a doutoranda atendia dona Julia e uma das minhas colegas realizava exercícios respiratórios com dona Iolanda (a pressão arterial dela estava um pouco elevada), a outra colega e eu fomos realizar algumas atividades com o Sr. Manoel. Como foi difícil professor! Dizíamos: “Sr. Manoel vamos alongar um pouco?” e ele dizia: “Se eu vou me deitar?”. Tínhamos que falar bem alto (praticamente gritando) e ainda assim não era uma garantia que seríamos ouvidas. Isso foi um pouco desconfortável pra mim: chegar na casa de alguém que nunca me viu e gritar, e pior, gritar com o dono da casa! Bom, mas enfim, do meio pro fim conseguimos criar um ritmo e nos fazer compreensíveis para ele de modo que logo nossa atividade com ele acabou e voltamos para a sala, onde ouvimos dona Julia falar sobre como conheceu Sr. Manoel e o início do casamento.
Eles estão juntos há 70 anos, tiveram 12 filhos mas até hoje ela diz: “Tenham cuidado com ele, pra não cair! (...) Meu velho, Nezin.” Achei isso tão doce, tão lindo ainda haver sentimentos que resistam há tantos anos, tantas doenças... Lá estão os dois, sendo cuidados pelos filhos, mas ainda se preocupam um com o outro e ajudam, da melhor forma que podem. Gostei deles!
Nem bem chegamos e a hora voou, logo tivemos que voltar a unidade de saúde. Lá, nos reunimos com o professor e os demais colegas e dividimos nossas experiências domiciliares. Foi bom ver que a maioria tinha gostado do que viu e ri de algumas situações engraçadas também. No fim das contas o dia tinha sido muito bom. O crescimento pessoal havia superado minhas expectativas e ainda restavam três semanas por ali.

(Portfólio) Feriado - Carnaval


3 de Março de 2014
Feriado - Carnaval
         
          Neste dia ainda estávamos em pleno carnaval, então obviamente, não houve aula.
          Agora que o carnaval passou é interessante pensar na significância que esta data tem no calendário nacional. Sem choro nem vela, a vida começa após o carnaval, Ainda que façamos promessas de um ano melhor no ano novo, nos damos o prazo de tolerância até depois do carnaval. E, nos locais em que o ano começa logo após o ano novo, a impressão que tenho é de que as coisas meio que se arrastam, como se estivessem acontecendo por pura obrigação.
          Será que nós, brasileiros, precisamos mesmo de uma quarta de cinzas para renascer? Para recomeçar a vida ou continuar de onde ela parou?

(Portfólio) Família



Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.

A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda a noite
e a mulher que trata de tudo.

O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Alguma Poesia'